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Blog da Margarida

Blog da Margarida

20
Jul17

Estrangeirismos e paralelismos

Estamos quase quase aquela altura do ano em que os emigrantes invadem Portugal, e já muitos são os que se queixam da sua presença. 

Não entendo muito bem esta implicância generalizada com quem vive fora do país, talvez porque eu própria sou emigrante - e como odeio esta palavra! -, mas na verdade, de que maneira estes conseguem  incomodar tanto os "portugueses de Portugal"?

Podemos falar sobre os cromos que cá vivem: é impossível não fazer piadas quando vejo por aqui um carro com um autocolante a dizer "chega-lhe azeite!", mas também os há por aí sem nunca terem metido um pezinho fora do país.

Falemos então das famílias numerosas, mas quantos aí não teriam igualmente três ou quatro filhos, se o nível de vida assim o permitisse?

Carros alugados para "inglês ver"? Acho que não passa de um mito urbano, nunca vi ninguém aqui a alugar carros melhores para a viagem, mas mesmo que aluguem um bom carro confortável para fazerem longas viagens de milhares de quilómetros, de que forma isso afectará terceiros?

Há muito por onde pegar neste tema mas no fundo, o que mais me incomoda é a implicância com as expressões estrangeiras:

"Michael, tu bá tombé! Eu avisei-te que ias cair!", "Jean-Paul, arréte-toi ici e reste tranquilo.", "Melanie, regarde que chose tão linda ici!".

Quem nunca ouviu estas pérolas? Podemos brincar com isso sem o fazer de forma ofensiva, mas garanto que na grande maioria dos casos não é algo feito de propósito; é demasiado complicado passar dias, meses, anos a falar noutra língua e não adoptar as suas expressões - é feito inconscientemente.

Já por outro lado, cada vez que vou a terras lusas ouço mais e mais expressões estrangeiras.

Parece que agora se diz por aí "vou fazer um break" porque "pausa" não é uma palavra fashion. Agora tudo é vintage, eles são os geeks e os nerds, tudo depende do mode de cada um. Tudo é feito em high performance, tudo é hight-tech desde os laptops aos head-phones.

Por todo o lado há beachpartys durante o sunset com beachwears compradas online; ou então os brunchs para os quais são escolhidos looks apropriados, com especial atencão aos outfits. Em cada canto vemos workshops de make-up onde se adquirem skills e know-how para assim melhorar a self-performance. Todos tem hobbys e fazem-se meetings, seja a actividade indoor ou outdoor como jogging, running ou climbing. 

Posto isto, até compreenderia o desagrado pelas expressões utilizadas pelos emigrantes se as criticas viessem de um adepto fervoroso da língua de Camões, alguém que dirá  "convescote" em vez de picnic, e "carro de praça" em vez de taxi.

Até lá, parece-me que quem tem roofs de vidro, não devia atira rocks ao vizinho.

 

20
Jul17

Eu, ele e as chaves

Temos por estes lados um problema grave com as chaves de casa. Eu tenho as minhas, ele tem as dele e até aqui tudo normal. O nosso problema é pensar que o outro pegou nas chaves antes de sair, de cada vez que saímos juntos de casa.

Ora, isso não era grave se não saíssemos todos os dias juntos para passear a cadela mais do que uma vez por dia. Já perdi a conta à quantidade de vezes que ficamos fechados fora de casa (felizmente, sempre com telemóvel para poder telefonar a alguém). Por norma, telefonamos à minha mãe para pedir a chave suplente que está em casa dela a 20km de minha   e vamos lá buscar; ou quando saímos sem chave do carro também (porque ninguém vai passear o cão com a chave do carro no bolso), lá vem ela até minha casa trazer. 

Nunca foi preciso chamar os bombeiros ou alguém para me abrir a porta mas já tivemos situações caricatas, como passar a meia-noite de um réveillon na rua com o cão a apreciar os fogos de artifício porque ninguém nos atendia o telefone com o barulho e a excitação do momento. Ou chegar a casa depois de uma sessão tardia de cinema e ter de ligar aos meus pais de madrugada. 

A coisa estava a tornar-se tão repetitiva que acabamos por esconder uma chave na entrada do prédio: não é muito seguro, mas a probabilidade de ficarmos trancados fora de casa sem ninguém para nos socorrer supera de longe a probabilidade de um assaltante descobrir a chave.

Ninguém diria que somos dois adultos, pois não?

19
Jul17

Preparar as férias

As férias são o momento mais esperado de todo o ano, e para ajudar a controlar a ansiedade e para que nada fiqeu esquecido, tenho tentado preparar tudo com antecedência. Ora então:

 

Hotel: Reservado há meses.

 

Transporte: Vamos de carro. Revisão está ok - é sempre bom fazer um check-up antes de uma viagem tão longa.

 

Animais: Pensei em levar-los comigo como faço muitas vezes mas este ano como a ideia será passar muito tempo fora do hotel, acabamos por decidir deixar a malta num hotel ao pé de casa (onde eu já trabalhei e confio a 100%). Para a Camila não haverá nenhum stress porque é onde ela já passa os dias na creche - e as vezes acho que ela gosta mais de lá estar do que da nossa casa.

 

Protecção solar: Comprei protector e after-sun no Lidl este ano porque já sabem que sou mega fã da marca deles, mas caso não goste, não me será difícil encontrar outro creme qualquer por lá.

 

Cuidados com a pele: Faltam duas semanas mas já comecei a preparar a pele para o sol. Tenho usado um esfoliante da The body Shop de framboesas e gostei muito. É um daquele que vem parar a casa por experiência mas que fica.

 

Documentos: Não vamos sair da Europa por isso foi só verificar se os Cartões Únicos estão em dia.

 

Medicamentos: Detesto tomar medicamentos e fujo deles o ano todo mas não permito que uma indisposição, uma dor de cabeça ou outro tipo de desregulação me estrague as férias. Passei na farmácia e comprei um "mini-kit de emergências tratáveis com um comprimido". 

 

Roupas: Gaja que é gaja tem de comprar um trapinhos novos para uma ocasião esperada, né verdade? cada vez mais faço questão de comprar marcas 100% portuguesas e de qualidade não questionável. Continuo a ser forreta mas tenho aprendido que o barato muitas vezes sai caro. 

Ros Beachwear Praia do Guincho em Costela de Adão

My Cantê Hemera versão 1

 

Acessórios de praia: Um saco de praia e um chapéu giríssimos do Lidl também, que não chegaram a 15€ os dois.

Fartei-me de procurar toalhas ou lenços de praia, igualmente de fabrico português e de boa qualidade, mas não encontrei absolutamente nada. Agora que as marcas de biquínis e acessórios de praia/piscina nascem em cada canto, ainda ninguém se lembrou de iniciar um produção de toalhas? Fica aqui uma ideia de negócio! 

 

Roteiro: Tive meses para pesquisar os pontos mais interessantes a visitar por cada cidade que vamos passar. Imprimi vários roteiros e apontei o que mais me interessava num caderninho pequenino que irá andar comigo no saco.

 

Roaming: THANK GOD acabou o roaming na Europa. Costumo usar o meu telemóvel como GPS, para procuras rápidas de pontos de informação/restaurantes mas este ano vou poder fazê-lo sem um custo adicional de 3€ dia que a minha querida operadora me cobrava. 

 

Assim de repente, lembram-se de mais alguma coisa que esteja a falhar? O que costumam preparar antes de irem de férias?

18
Jul17

O drama das cessações de contrato

É sempre um filme de terror cada vez que temos de cancelar um contrato, não é? Imagino apostas nos escritórios dos call-center: "será que este aguenta mais 20 minutos em linha sem desligar?", "será que o cliente continua a querer cancelar o serviço se eu o fizer contar a mesma história 5 vezes?", "e se eu lhe disser que falta um código que ele recebeu há meses atrás?". 

"Estranhamente", a adição de serviços pode ser feita por telefone sem problema nenhum e por confirmarão vocal. Ou seja, os senhores não se importam que o meu vizinho ligue para lá a adicionar serviços à minha factura, mas cancelar essa factura por telefone é impossível porque não há forma de confirmar que é realmente o detentor do contrato que está a falar. REALLY?

Começo a achar que este jogo de "empata aqui e ali" é só um teste à paciência dos clientes para ver quanto tempo tempo estes demoram a cancelar a ordem de pagamento bancário. Por muito ridículo que isto pareça, neste momento (e já em desespero com as complicações e dificuldades apresentadas para cancelar a porcaria de um contrato) acho que me será mais fácil deixar de pagar e esperar que sejam os senhores a querer cancelar comigo (e obviamente, regularizar os pagamentos), do que fazer tudo correctamente e exercer o meu direito de cessação pós período de fidelização. 

13
Jul17

São gostos...

-Gostas?

- Gosto! Mesmo!

- A sério? eu não tenho bem a certeza...

- Acho mesmo! Se não gostasse, dizia-te. Ou achas que tenho mau gosto?

- Assim de repente, lembro-me que gostas de gatos sem pêlo e cães quase sem focinho...

 

E pronto, é isto a minha vida...

 

11
Jul17

Festejar 30 anos - o que oferecer? #2

O que oferecer ao senhor meu marido como presente dos seus 30 anos, era a minha dúvida a semana passada. Hoje de manhã, ao abrir os 14871875 emails de publicidade e de os ter passado a pente fino (isto de encontrar promoções absurdas online, tornou-me publicidade-dependente), encontrei a solução para o meu problema!

Diz que o homem vai dar um passeio de helicóptero, coisa com a qual sonhava há bastante tempo. Como era uma promoção muito interessante, ainda pensei comprar um bilhete para cada um mas rapidamente me lembrei que os helicópteros voam e que ficaria a uma distância significativa do chão, então fiquemos por um bilhete para ele. 

Terá 6 meses para marcar o voo, e tenho a certeza absoluta que ele vai a-do-rar.  

 

10
Jul17

O "Gerês" no Luxemburgo

É sabido que por cá não há praia, mas já tinha ouvido falar nas praias fluviais que chamam centenas de pessoas nos fins-de-semana em que somos visitados pelo sol. Já tinha lá estado mas pela confusão e porque o local que tínhamos previsto não aceitava cães, acabamos por dar meia volta. 

Ontem estava um dia bastante quente mas cinzento, e imaginando que a afluência seria quase nula, decidimos ir explorar. 

Ao fim de três tentativas/erro por trilhos desconhecidos, lá acabamos por encontrar uma zona não concessionada para onde se pode levar os cães e fazer o tão típico "churrasco" português - fomos avisados que por ser área não concessionada podíamos encontrar nudistas, e a verdade é que os vimos mas a mim não me incomoda minimamente se alguém prefere nadar e apanhar sol  vestido ou tal como veio ao mundo.

Depois de quatro anos a viver no Luxemburgo, fui encontrar uma especie de Gerês aqui escondido e adivinhem: a 30km de minha casa!

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Ainda que não houvesse sol, estava muito calor e água tão mas tão agradável que me arrependi de não ter levado biquíni (não tenho nada contra nudistas, mas eu não me sentiria bem). A Camila fez logo amigos humanos e claro está, que tive de ir eu atrás dela para explicar que ela tenta salvar toda a gente que vê dentro de água (porque ela não sabe nadar e ainda que adore água, nunca vai para sítios onde não tem pé).

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O tempo e o telemóvel e a minha falta de jeito para fotos não deixaram demonstrar a beleza daquele sítio, mas para os interessados pesquisem por Insenborn, Liefrange e Lultzhausen. Vale muito a pena a visita; eu certamente serei visitante assídua a partir de agora. 

 

07
Jul17

Festejar 30 anos - o que oferecer?

Senhor meu marido vai soprar 30 velas dentro de um mês, e há poucos meses aniquilou a ideia que tinha guardada para o presente. Há anos que ele dizia querer um relógio (sempre os relógios) que era relativamente caro mas que era um sonho de criança. Então, há anos que em pensava em dar-lhe o relógio como marco pelos seus 30 anos, onde iria mandar gravar uma frase querida.

Prefiro oferecer experiências do que presentes, mas sendo uma coisa tão desejada à tanto tempo achei eu que seria também considerado como uma "experiência", algo que não se esquece. Pois muito bem, não fosse a criatura ter decidido compra o raio do relógio no inicio do ano. 

Lembro-me de lhe ter oferecido os saltos de para-quedas, lembro-me de lhe ter feito festas de aniversário inesquecíveis, lembro-me do primeiro relógio que lhe ofereci (em 2004!) mas não tenho grandes recordações sobre todos os outros presentes que trocamos nos restantes anos. 

Desta vez será um aniversário importante, a passagem marcante dos vintes para os trintas, e eu queria marcar esse dia de alguma forma. Viagens ou experiências será complicado no dia já que vamos de férias algures entre St. Tropez e o Mónaco. 

Tenho um mês para decidir o que fazer, seja preparar ou comprar alguma coisa e estou completamente perdida. Gente fixe, digam-me o que gostariam de receber ou pensariam oferecer à vossa cara metade numa data especial, please!

06
Jul17

Quando achamos que estas só acontecem em Portugal

Colega tem uma filha que acabou agora a primeira classe. Os pais são franceses mas de origem italiana, pelo que a menina fala já francês, italiano e luxemburguês - fala também alemão mas não ao nível dos colegas germanófonos. Os pais estão ao corrente das dificuldades da menina com a língua alemã e ela vem tendo apoios nos últimos meses.

A semana passada a mãe foi à escola para a típica reunião de final de ano, e a professora informou-a que a menina tem boas notas nas outras áreas mas continua com dificuldades em alemão, e pela sua "experiência de mais de 25 anos" como professora, a menina (que acabou agora o primeiro ano) não irá atingir as competências para passar do segundo ano para o terceiro.

Partindo do principio que a senhora professora não tem uma bola de cristal para prever o que se passará daqui a um ano, nem o direito de dizer este tipo de coisas com o prejuízo de desmotivar a criança, a mãe exigiu uma reunião com a direcção da escola. 

Hoje foi a reunião. Hoje a professora com mais de 25 anos de experiência, entre risinhos nervosos, negou à frente da direcção e de todos os outros colegas ter feitos as tais previsões. Hoje a professora mentiu, dizendo que não foi isso que disse, que a mãe percebeu mal.

 

Mais do que pela "previsão" da professora ou pelas dificuldades na criança, a colega decidiu mudar a menina de escola. Parece que 25 anos de experiência não chegam para a professora perceber que falta de carácter é muito mais importante do que competências cognitivas e/ou conhecimentos, que podem ser adquiridos mais cedo ou mais tarde ao longo da vida.

03
Jul17

Se Maomé não vai à montanha...

Achei que o meu ex-libris de loucura estética tinha sido o microblading (técnica de maquilhagem semi permanente) nas sobrancelhas, coisa que adorei e super recomendo para alguém que, como eu, tinha ali entre 5 e 10 pêlos armados em sobrancelha por cima de cada olho. Não foi propriamente barato mas valeu cada cêntimo porque além de estarem sempre bonitas e de modelarem todo o olhar e rosto, como elas estão desenhadas, eu própria as consigo arranjar em casa sem problemas.

Contudo, não sei se deva continuar a culpar o avançar da idade pelo súbito interesse nestas coisas de beleza mas depois de ter falado aqui sobre o meu tom de pele cor de lula, decidi aprofundar as pesquisas sobre métodos ou técnicas de bronzeamentos não agressivos. Acabei por encontrar um sítio perto de casa onde fazem jet-bronze com centenas de críticas positivas e por um preço bastante acessível, por isso, amanhã lá vou eu experimentar as pinturas corporais. 

Não vou mentir e dizer que não é por vaidade: é por vaidade, porque gosto muito mais de me ver morena - vampiros só em filmes, s.f.f.-, mas estou realmente cansada de ouvir a pessoas perguntarem-me se estou bem de saúde porque estou "pálida". Eu não estou pálida por motivos de saúde, eu perdi a minha cor natural portuguesa quando me mudei para um país frio. E bom, se o sol não vem até mim... desenrasco-me!*

 

 

*Sim, eu sei que a cor deve durar entre 7 a 10 dias, mas também vi comentários de pessoas a dizer que durava até 3 semanas. Anyway, neste momento já estou por tudo. Quero mesmo ver-me com um ar mais saudável mesmo que seja por muito pouco tempo.

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