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Blog da Margarida

Blog da Margarida

09
Ago17

Maridos fotógrafos, quem não os tem?

Marido e fotógrafo são coisas que não combinam. Eles sempre cheios de pressa, não querem selfies, não querem fotos de paisagens, não querem perder tempo com fotografias em geral (mesmo que anos mais tarde agradeçam as fotos tiradas naquele momento).

Dando um exemplo prático: eu nem pedi para tirar selfie quando já sabia que ele ia reclamar, porque era só uma fonte de água e blábláblá. Saltei eu para a frente da cascata e pedi para ME tirar uma foto com o telemóvel (que se regula sozinho), sem grande dificuldade. 

Qual foi o resultado?

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Maridos deste mundo, façam lá o favor às vossas caras metades e tirem-lhes uma fotografia bonita. Sem desfocar, sem parecer que temos papada, sem nos engordar 5kg por foto, sem estarmos despenteadas. Mesmo que tenham de repetir a foto 10 vezes (já que na maior parte dos casos, não vamos lá voltar tão cedo).

Obrigado pela compreensão.*

 

*E não, oferecer um selfstick não resolve o problema.

03
Ago17

O calor e o mar esperam-me

Eu não sou apenas uma catástrofe da organização - eu sou "A" catástrofe da organização. Isto para dizer que devia ter organizado posts para as férias mas não o fiz. 

Não me parece que vá ter muito tempo para postagens porque não vou levar o computador comigo, e no telemóvel fica difícil de corrigir e formatar os textos; para além disso, acho que preenchi demasiado a agenda com actividades e visitas.

O problema é sempre o mesmo: já que lá estamos queremos aproveitar ao máximo para visitar tudo mas, mais do que agendas a seguir, faz também falta o dolce fare niente.

Voltarei em duas semanas e trarei comigo fotos de todos os sítios por onde passei.

 

02
Ago17

O que é ser má-pessoa?

Todos conhecemos alguém que temos como má pessoa, alguém com má índole, se assim se pode dizer. Mas ao mesmo tempo, todos achamos que somos boas pessoas, suponho porque tentamos sempre ser o melhor que conseguimos. Ajudará o facto de sermos peritos a avaliar os defeitos nos outros, mas nunca os vemos em nós. 

Quando perguntamos os defeitos a alguém, o que ouvimos geralmente? Teimosia é o mais comum, ou sinceridade em excesso (também conhecido como "digo o que penso" ou "sou muito directo").

Vivemos numa selva social onde cada um faz o que pode para melhorar a sua vida, num mundo onde não se olha a meios para atingir os fins mas nunca somos nós. Nunca nós, são sempre os outros. Os manipuladores, os chantagistas, os arrogantes, os calculistas moram na casa ao lado, nunca na nossa. 

Este pensamento ocorreu-me porque no dia de Páscoa, numa reunião de família, disseram-me directamente que me achavam má pessoa. Por vir de alguém tão especial para mim, demorei meses até aceitar e interiorizar aquilo: primeiro fiquei triste, depois ofendida, meio revoltada até.

Não sou a melhor pessoa do mundo, nem nunca achei que fosse mas aquela opinião atingiu-me mais do que qualquer outra coisa na vida tinha feito. Meditei, interiorizei e debrucei-me na psicologia barata desta internet fora até conseguir escrutinar os motivos que levaram a essa opinião: tenho defeitos como toda a gente, só não tinha noção deles, nem da forma que isso afectaria os outros. 

Isso levou-me também a tentar perceber a origem daquele comentário, que não foi mais do que uma frustração justificada, de alguém que me deu tanto que esperava no mínimo, o mesmo nível de entrega da minha parte. Esse agradecimento ou retorno não faltou por uma razão intencional, de querer magoar ou prejudicar intencionalmente mas por egocentrismo e individualismo. 

Cheguei a conclusão que, afinal sim, sou má pessoa. Ser mal-agradecida, ser mimada, ser má amiga, ser má neta ou filha faz de mim má pessoa. Mas olhando para o que se passa por este mundo fora, deixo a minha veioa egocêntrica vir ao de cima e ainda acho que sou das melhores más pessoas que conheço. 

01
Ago17

As maravilhas das tecnologias

Descobri a semana passada o Snapchat onde tudo é lindo, filtros para aqui e para ali, narizinhos aqui, estrelas ali, flores acolá - é sorrir e mover as sobrancelhas para ver as orelhinhas a abanar. A coisa está tão bem feita que nos dá um chuto no ego: não é que ficamos mesmo bonitos? Qual Beyoncé, qual Jennifer Anniston, bonitos mesmo somos nós no Snapchat!

O problema está quando fazemos um movimento mais brusco com a câmara e a aplicação deixa de reconhecer o rosto. Aí é que são elas, meus caros. A Angelina Jolie do vosso ecrã dá lugar à tia-avó Lurdes (aquela que tem papada e bigode). 

Da primeira vez, ainda fiquei meia descrente, não fosse o "sem filtro" ser um filtro de feiume. Não, não era. Até nos filtros menos bonitos, continuo melhor que ao natural.

Basicamente foi preciso instalar esta porcaria para olhar para mim como um macaco preto com crista. Mas branco, quase cor de lula. Com espinhas na testa. E com dois queixos.

 

31
Jul17

Cozinha inconsciente

Existe a cozinha tradicional, a vegan, a vegetariana, a crudívura, a paleo, e até a cozinha consciente mas nunca tinha ouvido falar em cozinha inconsciente.

Na verdade, nem sei se existe mas é a única justificação que tenho para ter feito este bolo: sabem aqueles momentos em que ligamos o "piloto-automático" a conduzir, e mais tarde nem nos lembramos de ter feito aquele trajecto? Pronto, eu lembro-me que tinha uma caixa de doce de ovos para gastar antes de acabar a validade.

Creio que parte do meu cérebro ainda devia estar a funcionar porque só fiz metade da receita do bolo na pobre tentativa de reduzir os estragos. 

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Quando reflecti, percebi que tinha acabado de fazer um pão-de-ló recheado com doce de ovos. Provei com a mísera esperança de me ter enganado, e ter trocado o sal pelo açúcar - tal não aconteceu, o bolo estava maravilhoso.

Tenho a dizer que esta fotografia é a única prova do pecado consumado, mas também não vale a pena pensar muito nisso. O que lá vai, lá vai, não é? O lema é "atirar o passado para trás das costas", ou será para a barriga e ancas?

28
Jul17

Fazendo bem as contas...

Conversa no trabalho com um produtor que tinha acabado de perder subitamente alguns dos animais da sua exploração:

 

- O senhor diz que perdeu três, mas quantos tinha ao todo?

- Tinha 5.

- Então, ficou ainda com 2 em casa?

- Não, fiquei com 3.

- Mas se tinha 5 e perdeu 3, ficou com 2.

- Não, tinha 5 mais 1 que está separado.

- Então, tinha num total 6. Perdeu 3 de 5 que estavam juntos, e tem ainda 1 separado.

- Sim. 

- Ok...

- Mas a que estava separada tinha 3 bebés com ela.

- Eu preciso que o senhor me diga quantos animais tinha no total, independentemente se estavam juntos ou não, ou da idade deles.

- Ora, tinha 5 mais 1 - a que tinha 3 pequenos.

- Tinha então 9, certo?

- Não. Porque tenho lá mais uns que são do meu filho. 

- Quantos?

- 3.

- 9 seus mais 3 do seu filho. Eram 12 animais, portanto?

- Não, pelas minhas contas eram 14...

 

27
Jul17

Às mães e não-mães que me lêem

Vou correr o o risco de com este post abrir uma enorme caixa de Pandora mas cá vai:

Mães e não-mães que lêem este blog, como e quando é que o vosso instinto maternal deu sinais de vida (ou ausência)? 

Sonharam em ser mães desde pequeninas e andavam com as bonecas atrás para todo o lado? Ou eram como eu, e nem no mundo imaginário da Barbie queriam bebés? 

Têm a certeza absoluta que serão cat ladies forever? Ou andaram desde a adolescência à procura de um ser humano masculino com qualidades suficientes para vos fecundar? 

Ambicionavam uma família numerosa mas depois de um determinado episódio, mudaram de ideias; ou sempre imaginaram uma vida exclusivamente a dois? De um dia para outro, acharam que se conseguem criar um cão, a coisa é capaz de resultar com uma criança? Nasceram sem a "opção" que liga as hormonas desejastes de pupilos?

Ou nunca pensaram muito nisso, e tiveram/terão filhos porque é assim o ciclo da vida? Idade? Questões religiosas? Pressão social? Medo de solidão na velhice? Demasiado amor para dar? Medo do que este mundo pode fazer a um ser tão inocente? Criar bons cidadãos para melhorar o mundo? 

Vá, não se acanhem e contem-me tudo!

24
Jul17

Gordices com juízo

Reparei que estava com um humor pior que o dos franceses quando perderam o Euro 2016 e tiveram que esconder o autocarro preparado para a festa (eu sei, não sou dada a futebol mas há coisas que não se esquecem), quando dou por mim a mudar de cor perante a leitura de um blog onde se falava sobre amamentação. 

Naquele segundo em que estava prestes a atacar o teclado, lembrei-me que nunca dei de mamar, não tenho filhos nem tenciono ter, e que ainda que aquela discussão fosse mais sobre escolhas e liberdade pessoal do que outra coisa, não valia a pena o comentário. Acendeu-se a luz de aviso para "limite de tempo nas redes sociais ultrapassado". Quem nunca?

 

Ora, como o mau tempo e marido a trabalhar todo o fim de semana são a minha melhor estratégia para pôr as tarefas de casa e compras em dia, e como já não me restava nada urgente para fazer, atirei-me à cozinha para inventar alguma coisa que me aquecesse o coração e estômago num dia frio - como quem diz, gordices. Mas com juízo!

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Crepes rápidos feitos na bimby - nunca falham, ficam sempre mega fofos. Como não tinha chocolate, decidi experimentar com um dos meus ingredientes preferidos: mel caseiro português. Adoro, adoro! Esta minha paixão pelo mel é recente porque sempre tive a ideia que era algo demasiado doce mas garanto-vos que se provarem um bom mel de qualidade, vão ter uma experiência palatável memorável (já para não falar das inúmeras vantagens para a saúde - sabem que o mel é o mais potente antibiótico natural e regenera tecidos como poucas outras substâncias fazem?). Correu tão bem que até acho que crepes com mel passou a ser o meu lanche/pequeno-almoço preferido!

Para acompanhar, uma limonada de framboesas que não é mais do que juntar limão, framboesas congeladas, açúcar (um bocadinho!), e água - triturar, coar et voilá

20
Jul17

Estrangeirismos e paralelismos

Estamos quase quase aquela altura do ano em que os emigrantes invadem Portugal, e já muitos são os que se queixam da sua presença. 

Não entendo muito bem esta implicância generalizada com quem vive fora do país, talvez porque eu própria sou emigrante - e como odeio esta palavra! -, mas na verdade, de que maneira estes conseguem  incomodar tanto os "portugueses de Portugal"?

Podemos falar sobre os cromos que cá vivem: é impossível não fazer piadas quando vejo por aqui um carro com um autocolante a dizer "chega-lhe azeite!", mas também os há por aí sem nunca terem metido um pezinho fora do país.

Falemos então das famílias numerosas, mas quantos aí não teriam igualmente três ou quatro filhos, se o nível de vida assim o permitisse?

Carros alugados para "inglês ver"? Acho que não passa de um mito urbano, nunca vi ninguém aqui a alugar carros melhores para a viagem, mas mesmo que aluguem um bom carro confortável para fazerem longas viagens de milhares de quilómetros, de que forma isso afectará terceiros?

Há muito por onde pegar neste tema mas no fundo, o que mais me incomoda é a implicância com as expressões estrangeiras:

"Michael, tu bá tombé! Eu avisei-te que ias cair!", "Jean-Paul, arréte-toi ici e reste tranquilo.", "Melanie, regarde que chose tão linda ici!".

Quem nunca ouviu estas pérolas? Podemos brincar com isso sem o fazer de forma ofensiva, mas garanto que na grande maioria dos casos não é algo feito de propósito; é demasiado complicado passar dias, meses, anos a falar noutra língua e não adoptar as suas expressões - é feito inconscientemente.

Já por outro lado, cada vez que vou a terras lusas ouço mais e mais expressões estrangeiras.

Parece que agora se diz por aí "vou fazer um break" porque "pausa" não é uma palavra fashion. Agora tudo é vintage, eles são os geeks e os nerds, tudo depende do mode de cada um. Tudo é feito em high performance, tudo é hight-tech desde os laptops aos head-phones.

Por todo o lado há beachpartys durante o sunset com beachwears compradas online; ou então os brunchs para os quais são escolhidos looks apropriados, com especial atencão aos outfits. Em cada canto vemos workshops de make-up onde se adquirem skills e know-how para assim melhorar a self-performance. Todos tem hobbys e fazem-se meetings, seja a actividade indoor ou outdoor como jogging, running ou climbing. 

Posto isto, até compreenderia o desagrado pelas expressões utilizadas pelos emigrantes se as criticas viessem de um adepto fervoroso da língua de Camões, alguém que dirá  "convescote" em vez de picnic, e "carro de praça" em vez de taxi.

Até lá, parece-me que quem tem roofs de vidro, não devia atira rocks ao vizinho.

 

20
Jul17

Eu, ele e as chaves

Temos por estes lados um problema grave com as chaves de casa. Eu tenho as minhas, ele tem as dele e até aqui tudo normal. O nosso problema é pensar que o outro pegou nas chaves antes de sair, de cada vez que saímos juntos de casa.

Ora, isso não era grave se não saíssemos todos os dias juntos para passear a cadela mais do que uma vez por dia. Já perdi a conta à quantidade de vezes que ficamos fechados fora de casa (felizmente, sempre com telemóvel para poder telefonar a alguém). Por norma, telefonamos à minha mãe para pedir a chave suplente que está em casa dela a 20km de minha   e vamos lá buscar; ou quando saímos sem chave do carro também (porque ninguém vai passear o cão com a chave do carro no bolso), lá vem ela até minha casa trazer. 

Nunca foi preciso chamar os bombeiros ou alguém para me abrir a porta mas já tivemos situações caricatas, como passar a meia-noite de um réveillon na rua com o cão a apreciar os fogos de artifício porque ninguém nos atendia o telefone com o barulho e a excitação do momento. Ou chegar a casa depois de uma sessão tardia de cinema e ter de ligar aos meus pais de madrugada. 

A coisa estava a tornar-se tão repetitiva que acabamos por esconder uma chave na entrada do prédio: não é muito seguro, mas a probabilidade de ficarmos trancados fora de casa sem ninguém para nos socorrer supera de longe a probabilidade de um assaltante descobrir a chave.

Ninguém diria que somos dois adultos, pois não?