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Blog da Margarida

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09
Out12

O estigma da idade

Eu sei que há idades para tudo, mas porque raio havemos de julgar a as pessoas pela idade? Porque é normal as pessoas da minha idade estarem demasiado ocupadas a apanharem bebedeiras para contar aos amigos, em vez de fazer algo produtivo? Porque se sentem envergonhados ao dizerem que nunca experimentaram drogas? Nunca fumaram um charro? Eu mais do que ninguém sei que isso é normal - ou frequente - como quisermos chamar. Por isso conversas do género "Sabes que com a tua idade as pessoas querem é divertir-se, sem responsabilidades", eu sei disso melhor do que alguém que tenha trinta ou quarenta.

Mas felizmente não somos todos iguais. Aos dez passava tardes no mIRC, que é o antepassado no msn para quem não conhece, e espantem-se! Eu já ouvia falar em histórinhas de pedófilos, e encontros pela net com crianças iludidas por promessas sem fim. Aos quatorze comecei a sair à noite com as minhas amigas (felizmente tive uma mãe que me avaliava também pelas minhas acções e responsabilidade, e não apenas pela idade), e guess what? Nunca experimentei drogas, porque se o quisesse fazer não precisava de ir a uma discoteca, podia mesmo fazê-lo na escola. Nunca tive contacto fisíco (aka "curtes") com pessoas desconhecidas. Não engravidei na adolescência. Não fumo nunca. Só bebo em eventos sociais, e se estiver para aí virada. Trabalho nas férias desde os meus dezasseis anos (sem necessidade, porque na altura a vida corria bastante bem aos meu pais) simplesmente queria ter dinheiro sem pedir nada a ninguém. Aos dezoito comprei um carro e um cão, hoje com vinte e dois orgulho-me de dizer que mantenho os dois e assim irá continuar.

Tenho vinte e dois anos, vivo com o meu namorado, faço a gestão e todo o trabalho de uma casa. Acabei o meu curso no tempo estimado. Continuo a trabalhar. Portanto, não me venham com conversas de "Com a tua idade ninguém tem responsabilidade!", ao invés de aproveitar tudo aquilo que eu, e montes pessoas que como eu, estão dispostas a oferecer. 

Na casa dos vinte estamos no auge, cheios de ideias, de sonhos, de esperanças. Lutamos por aquilo que queremos, que achamos ser melhor, que fará a diferença no mundo. Temos tempo e disponibilidade. Temos vontade de usar isto tudo naquilo que realmente nos interessa, naquilo que nos move, que nos faz sonhar de noite e acordar de manhã. Este ciclo vicioso de "Não há oportunidade porque não há experiência. Não há experiência porque não há oportunidades" tem de acabar, porque isso é desperdiçar e neste país, neste momento não estamos em altura de desperdiçar nada, muito menos coisas tão boas e positivas como talento e vontade de fazer acontecer.

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