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Blog da Margarida

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07
Jan13

O engano da maioridade

Enquanto escrevia o post anterior lembrei-me do quanto desejei durante a adolescência sair de casa e ir viver sozinha, ou com o namorado. Acho que é um desejo bastante comum a todos os jovens durante os anos do "império hormonal". E quando a minha mãe se ria de mim, e me perguntava  de quê que eu ia viver, pensava para os meus botões que se haviam pessoas a viver com o salário mínimo, eu também me safava. Pensava na liberdade que teria, podia sair até às horas que me apetecesse, podia comer pizza todos os dias, podia fazer festas para amigos, comprar o que me apetecesse sem ninguém controlar os meus gastos... Mas que enganadinha que eu estava!! Felizmente não passaram de crises de adolescente, porque fazendo as contas por baixo para um casal que ganha o salário mínimo nacional, ainda hoje não sei como se vive neste país.

 

Casa-250€ mínimo

Carro- 150€ p/ carro de 7000€ a pagar em 5 anos

Água- 20€

Luz- 60€

Gás- 20€

Internet- 20€

Condomínio- 20€

Gasolina- 100€ p/ uma deslocação de 15km ida/volta diária

Supermercado/Talho- 200€

 

Assim, num mês sem despesas extras como médicos, seguros de carro e/ou casa, óculos, avarias/revisão de carro, arranjos em casa, sobram pelas minhas contas cerca de 130€ a um casal sem filhos. Por mais contas que faça não sei como consegue um casal com um filho viver neste país, porque o salário de duas pessoas pura e simplesmente não chega. Cada vez se ouvem mais relatos de pessoas que foram obrigadas a voltar para casa dos pais, mesmo já depois de terem casa e filhos. Cada vez ouço mais pessoas a dizer que não sabem como vão pagar os estudos aos filhos, porque o dinheiro mal chega para comer. Vejo jovens cheios de potencial e adultos repletos de experiência desistirem dos seus sonhos por falta de dinheiro e oportunidades.

À coisa de dois anos, lembro-me de pensar que a crise só estava na cabeça das pessoas. Que só não trabalhava quem não queria, e que para quem queria trabalhar a vida continuava a ser a mesma. Talvez na altura fosse verdade, mas hoje sou obrigada a rever a minha opinião sobre o assunto e admitir que estava errada, ou que pelo menos essa teoria já não se aplica nos dias de hoje.

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