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Blog da Margarida

Blog da Margarida

31
Mai17

Cinderelas chamadas à recepção

Digam-me, senhoras, como aguentam com os sapatinhos de tacão calçados? Só pode haver algum segredo desconhecido, alguma receita que inclua pêlos de unicórnio e saliva de dragão, porque tudo o resto eu já tentei e não funciona.

Sou moça bastante prática e descontraída, sem dramas, muito fã das suas calças de ganga com as suas sapatilhas e sabrinas, sempre pronta para qualquer situação, mas de vez em quando também seria agradável calçar alguma coisa mais elegante sem ter de fazer contas às previsões de distancias a percorrer. 

No sábado passado decidi arriscar, já que o percurso seria basicamente em parques de estacionamento mas ainda antes de entrar no restaurante, levei com a seguinte conversa:

- Vê-se bem que não estás habituada a andar com esses sapatos...

- Porquê?

- Andas meio esquisita...

Pronto, ali entre o desabafo do homem de quem tinha de acompanhar uma mula perneta e com joanetes nas outras patas, fiquei com vontade de abortar os planos e voltar para casa, ou pelo menos ir mudar de sapatos. Mas depois pensei, "és uma mulher ou um rato?".

Claro que segui caminho no alto das minhas sandálias de plataforma, qual girafa bebé; primeiro tentando concentrar-me nos movimentos das minhas pernas para ter um ar mais natural, mas vendo que não estava a resultar e que estava a ficar ligeiramente obcecada com isso, relaxei e "seja o que Deus quiser". Não caí no caminho até à mesa, sentei-me, comi, levantei-me e saí do restaurante sem escândalos.

No caminho para o cinema, começamos a ver que as ruas estavam cortadas por um grande evento na cidade. Mudamos várias vezes de rota, mas quase todos os caminhos estavam interditos; acabamos por lá chegar, mas o parque de estacionamento estava fechado. E agora? Haviam outros parques a uma distancia perfeitamente aceitável mas não compatível com o meu calçado. O homem manteve-se calado, comigo a imaginar os seus pensamentos homicidas. 

Finalmente, por um alinhamento de todos os astros, planetas, estrelas e luas, arranjamos estacionamento a uns 200 metros da porta de entrada do cinema e aguentei firme até chegar ao meu lugar no filme. Aproveitei as mais de duas horas do "Piratas das Caraíbas" para pôr os pezinhos "ao léu", o que não foi muito boa ideia porque os pés dilataram. 

Quando o filme acabou, voltei a calçar-me e ainda aguentei até à saída, mas o meu limiar de dor trouxe à tona a minha versão mulher-da-cavernas-vegan-retro-hippie-chic-só-faz-o-que-quer, saquei o raio das sandálias fora e fui descalça até ao carro.

Porque não fazia sentido sofrer só porque é feio andar descalça, porque a maior parte das vezes que faço caminhadas também as faço descalça, porque cada um deve seguir a sua vidinha sem olhar muitos para os pés d' os outros, porque sentia que tinha ali um bando de morcegos com dentes afiadinhos a massacrar-me as extremidades.

Com isto aprendi duas lições: a primeira foi deixar de ser palerma e não querer parecer aquilo que não sou (ou que os meus pés não são), a segunda foi a não usar nada semelhante enquanto me lembrar deste episódio. A terceira lição ainda estou à procura dela, que será como transformar estas patas habituadas a crocs, sapatilhas e sabrinas, em pés de senhora que toleram tortura chinesa.

 

*Como terapia para esta situação traumática (que ainda se faz sentir cada vez que dou um passo, mesmo quatro dias depois), vi-me forçada a comprar umas sandálias rasas e mais dois pares de sabrinas, para evitar as escolhas iluminadas de sapatos altos com a justificação de "não ter nada de jeito para calçar".

30
Mai17

Diz-me o que comes...

Junto à minha marmita, vem diariamente uma sobremesa, que varia entre uma peça de fruta ou um boião com gelatina que faço em casa. E vocês não imaginam o choque e a curiosidade cada vez que eu pego num boião de gelatina. Acreditem que na primeira vez achei que estavam a gozar comigo.

"Vocês querem mesmo ver que estes camones nunca comeram gelatina?". Eu cresci a comer gelatina, como porque sabe bem e nunca me questionei muito, ainda que saiba como é feito. Aceito que agora se diga que faz mal, mas no meu tempo dizia-se que era bom para os ossos em crescimento das crianças, por isso fui habituada a fazê-la e comer.

Eu devia ter desconfiado desta "rareza" quando só encontrei as embalagem da Royal em grandes supermercados com produtos internacionais. Num supermercado mais pequeno, quando perguntei se não tinham gelatina, mostraram-me gelatina em folha. Expliquei que não era bem aquilo, e então disseram-me para comprar também um corante e juntar à gelatina em folha. Oi?

Ver a admiração por eu comer algo tão básico espanta-me tanto com as perguntas que se seguem cada vez que pego no meu frasquinho: "isso é o quê?", "isso é feito de quê?", "isso sabe a quê?, "é um doce típico de Portugal?".

É só gelatina, minha gente! Compramos umas embalagens com pó e juntamos água, assim de simples. Explico que é tipo agar-agar, aliás, há gelatinas vegetais feitas deste composto. Mostro vídeo e fotos da preparação. Segue-se o nojo, o "ai, que eu nunca comeria isso", o "ai, que coisa estranha" enquanto comem uma saca de gomas - vá-se lá perceber.

A gelatina é agora conhecida na minha hora de almoço como "sobremesa portuguesa", e caros colegas, se acham isto esquisito, deviam de ver como se faz Arroz de Sarrabulho.

26
Mai17

Manias, manias...

A conversa que se ouve todos os dias em minha casa por volta das 21h, ali entre o acabar de arrumar a cozinha e pousar a bunda no sofá:

 

Eu: Levas a cadela à rua?

Ele: Levo.

Eu: E levas o lixo para baixo?

Ele: Levo.

Eu: E separas a reciclagem?

Ele: Separo.

Eu: Olha que a cadela está a pedir para ir à rua.

Ele: Já vou.

Eu: Não te esqueças do lixo que está cheio de comida, e fica a cheira mal.

Ele: Já vou.

Eu: Não te esqueças da reciclagem.

Ele: Eu sei.

Eu: Olha a cadela a pedir para ir à rua....E o lixo... E a reciclagem...

 

Sim! Eu sou aquela pessoa irritante que pede alguém para fazer alguma coisa, mas que espero que seja feita quando e como eu quero. Shame on me!

O Ser Humano com quem partilho a minha vida já tinha reclamado de tal característica, mas só hoje percebi que ele é capaz de ter razão.

Hoje liguei-lhe, pedi que fosse às compras e que trouxesse cerejas; imediatamente, lembrei-me que ele prefere ir a outro supermercado do que aquele que eu estava a imaginar e que não ia comprar as cerejas que eu queria. Pensei por segundos pedir-lhe que fosse ao supermercado que EU preferia e a determinada hora (porque depois é muita confusão) mas acabei por ficar calada. "Se queres algo bem feito, faz tu mesmo", right?

Juro que vou tentar controlar esta mania horrível, mas vou fazê-lo em silêncio (se lhe dou razão, ninguém o cala). Ele gosta de mim assim, e afinal há defeitos piores...

26
Mai17

Tão simples, tão bom

Ontem foi feriado por cá, e apesar das minhas intenções de dormir até mais tarde, a Camila decidiu que até às 9h já era suficiente e que tinha mesmo de ir fazer o seu passeio higiénico. O tempo estava maravilhoso: sol, bastante calor e aquela brisa tão suave e agradável que nos faz querer passar o dia na rua. E assim foi.

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O telemóvel diz que foram 22345 passos, cerca de 16km percorridos, um leve escaldão nos ombros (e as saudades que tinha disso!), e bolhas nos pés (porque sempre que me apanho na natureza, saco os sapatos fora e ando descalça). Tão simples, tão bom. Por mais dias como este!

 

24
Mai17

Viagens gustativas

Gosto dos meus colegas de trabalho por muitas razões, umas delas é terem instituído o hábito de trazer uma lembrança comestível sempre que vamos de férias. Nos últimos meses as minhas papilas gustativas viajaram muito mais que eu: provei um bolo tradicional de Palma de Maiorca, bolinhos da Indonésia, docinhos marroquinos, presunto italiano, chocolate artesanal belga e biscoitos ingleses. Tudo gente que gosta de viajar e comer - boa gente, portanto.

Os últimos colegas que foram de férias, acabaram por se esquecer dos docinhos comprados no aeroporto, mas como tinham preparado duas surpresas, uma acabou por nos chegar às mãos: nada mais, nada menos que um saquinho com areia da praia! 

Tendo em conta que é preciso atravessar uma fronteira e conduzir mais de 300km para chegarmos daqui à praia mais próxima, sabendo que a maior parte dos dias está um tempo dos diabos, um bocadinho de areia da Republica Dominicana trouxe-nos um sorriso aos lábios numa manhã chuvosa.

 

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Foi giro, foi simpático, sim senhora, mas aqui pequena lontra nascida e criada ao lado da praia, acha que não há praias nem areia fina como as nossas, por isso tinha mesmo dado preferência às gordices.

 

24
Mai17

Amor, ai, o amor

A cada ano que passa, sinto-me mais triste com as notícias de divórcio. E se fosse comigo? Fico sempre a pensar se não haveria realmente mais nada a fazer, mais nada para tentar; não me entendam mal, o poder de escolha e a liberdade de seguir outros caminhos, largar o que não nos faz feliz não tem preço mas se aquelas pessoas se juntaram, foi porque se amaram um dia. E na minha visão de amor, este não acaba. 

E é isto que mais me assusta, porque para mim o amor não acaba nunca. Nós mudamos, a vida muda, as exigências e situações são outras mas havendo vontade,havendo amor, deveria de haver sempre uma solução, certo? É isso que nos é ensinado e doutrinado desde sempre: o amor resolve tudo, salva tudo. 

Amar não é sempre maravilhoso, não é um mar de rosas, tem as suas tempestades, mas é sempre o meu colete salva-vidas. Não quero imaginar a vida sem a minha metade da laranja; não há forma de me agarrar a vida sem aquele pilar. Não posso imaginar acordar e deitar-me sem ele, não ter a opinião dele até nos assuntos mais banais, não ter de pensar nele enquanto escolho as bolachas no supermercado, não ter ninguém para reclamar por causa do tempo.

Quando recebo a notícia que alguém próximo se vai divorciar, há várias teorias que passam ao mesmo tempo na minha cabeça. Será que sou tão inocente ao ponto de acreditar no felizes para sempre, quando na verdade isso não passa de uma ilusão temporária?  Como se segue em frente, depois de receber a notícia que a outra parte já não ama?

O amor terá validade ou só acaba porque o damos por garantido e nos esquecemos que ele tem de ser alimentado e regado todos os dias, com palavras e acções?

Amedronta-me tanto a ideia de alguém estar comigo por acomodação, como a ideia de chegar a casa depois de um dia normal de trabalho e receber a notícia que o "amor acabou". Depois de 13 anos juntos - literalmente metade da minha vida -, já não me lembro de existir antes dele e acho sinceramente que o amo cada vez mais. Mas nunca sabemos o que vai na cabeça do outro, e um não ama por dois.

Há alguém que eu admiro muito, com a experiência de vida que só se ganha depois de virar muitos calendários, que me diz que todos os casamentos acabam em separação: alguns com separação física, outros apenas em pensamento, continuando com a rotina de sempre. E eu recuso-me a acreditar nisto.

Talvez leve a minha inocência a outro nível, fazendo-me acreditar que quem se separa não conheceu o amor como eu conheço, que sou uma sortuda, uma privilegiada por saber o que é amar mais do que a própria vida outra pessoa; uma atitude conscientemente narcisista, mas que me dá de alguma forma a ilusão de segurança.

Amar não é mais do que atirar os nossos sentimentos por um penhasco e esperar que alguém os segure; pode correr muito mal, mas pode também ser a mais maravilhosa experiência do mundo. 

23
Mai17

Leituras #2

Na viagem de ida, acabei de ler "O segredo do meu marido" de Liana Moriarty; foi-me aconselhado pelo Kindle, tendo em conta o meu tipo de leitura. É um livro de leitura fácil e que mantém o interesse na leitura (e isto não é fácil de fazer, tendo em conta que eu estava dentro de um avião).

 

 

Aproveitei também a viagem para comprar livros em português, e trazê-los comigo no avião. Claro que a ideia saiu furada porque nem mais um cotonete cabia na minha mala, e ainda tive de utilizar meia mala dele. O único que veio comigo para ajudar na viagem de volta, foi o "Canção de Embalar de Auschwitz" e não parei até acabar de o ler. Entretanto, senhor meu marido, também o começou a ler e já acabou.

Sou fã de livros desta época mas este livro é de facto um enorme murro no estômago. Que grande sorte temos em nos podermos queixar das nossas vidas tão normais. 

 

23
Mai17

Lei de Murphy

Conheci esta teoria com os meus antigos patrões e era referida antes de cada trabalho difícil ou complicado, para que nos preparássemos para o pior. Basicamente a teoria assenta sobre o principio em que "qualquer coisa que possa correr mal, vai correr mal, no pior momento possível".

Tão verdade, não é?

 

*As férias foram óptimas e já estamos de volta à nossa querida ordinary life. 

12
Mai17

O pior de viajar

O pior de viajar são os aviões, meus caros. Sim, aquele aparelho que tanto nos leva ao outro lado do oceano em poucas horas, como também nos pode por em casa (2000km) num piscar de olhos.

Aquele meio de transporte considerado o mais seguro do Mundo. Esse que aproxima famílias e casais apaixonados em encontros de fim de semana para sossegar a saudade. Aquele que cada vez tem preços mais simpáticos e que nos deixa ir a sítios onde há uns anos atrás seria impensável - já fui a Inglaterra de avião com um bilhete mais barato do que o Alfa Porto-Lisboa. 

É também aquele meio de transporte que me leva ao hospital com ataques de ansiedade.

Sim, eu já fui para o hospital com um ataque de ansiedade na noite anterior a uma viajem. Não há razões para isso, mais depressa morro atropelada, blá blá blá, já ouvi isso tudo mas a coisa tem vindo a piorar com o tempo, mesmo depois de ter negado este medo durante anos. 

Vou viajar no domingo e andei a semana toda a afogar o meu pânico em comida (e não da saudável, diga-se); ontem comecei a sentir a caixa torácica mais apertada a cada inspiração cada vez que pensava no assunto; hoje sinto o meu estômago a nadar em ácido.

Se há alguma coisa que eu possa fazer para atenuar o medo? Há, e não é uma piada - deixar o meu marido em casa a tomar conta dos animais. Demorei anos a perceber a origem do medo e porque ia piorando, até que percebi que o meu medo é deixar os meus animais órfãos.

"Que grande parvoíce", devem pensar alguns de vocês. Mas não há nada que me dê mais medo do que não puder cumprir o compromisso para a vida que assumi com eles.

Tenho um pacto com a minha prima, em que caso nos aconteça alguma coisa ficamos com o cão uma da outra - era pacto válido para o Mike, e foi transferido para a Camila.

O que mais me aperta o coração são os meus gatos, que sendo queridos sei que alguém haveria de ficar com eles, mas acabariam por ser separados. E ninguém os conhece como eu: ninguém perceberia as mordidinhas da Alice como demonstrações de carinho, ou a força que o Gaspar faz para dormir no nosso pescoço bem juntinho, ou a carência escondida pela timidez da Matilde. 

"Que grande parvoíce", eu sei. Vou de férias com o meu marido, visitar a família, ver o mar e estou para aqui a pensar nestas coisas. Não vai acontecer nada, não é? Prometo tentar controlar-me nas idas às urgências e para a semana estarei de volta.

Até já!

 

11
Mai17

Provérbios e dizeres populares

Sou uma assumida utilizadora de provérbios populares, frases feitas e conhecidas. Há para todas as situações uma frase ou expressão, mesmo que haja sempre ideias contraditórias.

"Vale mais um pássaro na mão, do que dois a voar" ou "Quem não arrisca não petisca"? "A cavalo dado não se olha o dente" ou "Quando a esmola é grande até o pobre desconfia"? "O barato sai caro" ou "No poupar é que está o ganho"? "Quem não chora, não mama? ou "Pela boca morre o peixe"?

Não sei de onde veio este gosto particular, acho que pode ser até bastante irritante, o que faz que muitas vezes me limite a guardar as expressões para mim mas ainda assim utilizo com frequência. Com tanta frequência que este "hábito" foi passando para o Bruno, depois de quase 13 anos de convivência. 

Isso podia fazer com que passássemos a ser daqueles casais irritantes que terminam as frases um do outro, principalmente quando são frases pré-feitas mas isso nunca vai acontecer porque ele é completamente nulo em provérbios e dizeres populares; ele tenta mas acaba sempre por se sair com um "entre marido e mulher, espeto de pau", "acordar cedo e cedo erguer, tanto bate até que fura", ou "cavalo dado, tem medo de água". 

Descobri  há uns meses uma página no Facebook chamada Provérbios Disléxicos, que não tendo qualquer relação com o senhor meu marido (também ele disléxico, por coincidência ou não), eu poderia dizer que foi inspirado nele ou em alguém como ele. E o que eu me rio com aquilo, senhores!

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