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Blog da Margarida

Blog da Margarida

31
Jul17

Cozinha inconsciente

Existe a cozinha tradicional, a vegan, a vegetariana, a crudívura, a paleo, e até a cozinha consciente mas nunca tinha ouvido falar em cozinha inconsciente.

Na verdade, nem sei se existe mas é a única justificação que tenho para ter feito este bolo: sabem aqueles momentos em que ligamos o "piloto-automático" a conduzir, e mais tarde nem nos lembramos de ter feito aquele trajecto? Pronto, eu lembro-me que tinha uma caixa de doce de ovos para gastar antes de acabar a validade.

Creio que parte do meu cérebro ainda devia estar a funcionar porque só fiz metade da receita do bolo na pobre tentativa de reduzir os estragos. 

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Quando reflecti, percebi que tinha acabado de fazer um pão-de-ló recheado com doce de ovos. Provei com a mísera esperança de me ter enganado, e ter trocado o sal pelo açúcar - tal não aconteceu, o bolo estava maravilhoso.

Tenho a dizer que esta fotografia é a única prova do pecado consumado, mas também não vale a pena pensar muito nisso. O que lá vai, lá vai, não é? O lema é "atirar o passado para trás das costas", ou será para a barriga e ancas?

28
Jul17

Fazendo bem as contas...

Conversa no trabalho com um produtor que tinha acabado de perder subitamente alguns dos animais da sua exploração:

 

- O senhor diz que perdeu três, mas quantos tinha ao todo?

- Tinha 5.

- Então, ficou ainda com 2 em casa?

- Não, fiquei com 3.

- Mas se tinha 5 e perdeu 3, ficou com 2.

- Não, tinha 5 mais 1 que está separado.

- Então, tinha num total 6. Perdeu 3 de 5 que estavam juntos, e tem ainda 1 separado.

- Sim. 

- Ok...

- Mas a que estava separada tinha 3 bebés com ela.

- Eu preciso que o senhor me diga quantos animais tinha no total, independentemente se estavam juntos ou não, ou da idade deles.

- Ora, tinha 5 mais 1 - a que tinha 3 pequenos.

- Tinha então 9, certo?

- Não. Porque tenho lá mais uns que são do meu filho. 

- Quantos?

- 3.

- 9 seus mais 3 do seu filho. Eram 12 animais, portanto?

- Não, pelas minhas contas eram 14...

 

27
Jul17

Às mães e não-mães que me lêem

Vou correr o o risco de com este post abrir uma enorme caixa de Pandora mas cá vai:

Mães e não-mães que lêem este blog, como e quando é que o vosso instinto maternal deu sinais de vida (ou ausência)? 

Sonharam em ser mães desde pequeninas e andavam com as bonecas atrás para todo o lado? Ou eram como eu, e nem no mundo imaginário da Barbie queriam bebés? 

Têm a certeza absoluta que serão cat ladies forever? Ou andaram desde a adolescência à procura de um ser humano masculino com qualidades suficientes para vos fecundar? 

Ambicionavam uma família numerosa mas depois de um determinado episódio, mudaram de ideias; ou sempre imaginaram uma vida exclusivamente a dois? De um dia para outro, acharam que se conseguem criar um cão, a coisa é capaz de resultar com uma criança? Nasceram sem a "opção" que liga as hormonas desejastes de pupilos?

Ou nunca pensaram muito nisso, e tiveram/terão filhos porque é assim o ciclo da vida? Idade? Questões religiosas? Pressão social? Medo de solidão na velhice? Demasiado amor para dar? Medo do que este mundo pode fazer a um ser tão inocente? Criar bons cidadãos para melhorar o mundo? 

Vá, não se acanhem e contem-me tudo!

24
Jul17

Gordices com juízo

Reparei que estava com um humor pior que o dos franceses quando perderam o Euro 2016 e tiveram que esconder o autocarro preparado para a festa (eu sei, não sou dada a futebol mas há coisas que não se esquecem), quando dou por mim a mudar de cor perante a leitura de um blog onde se falava sobre amamentação. 

Naquele segundo em que estava prestes a atacar o teclado, lembrei-me que nunca dei de mamar, não tenho filhos nem tenciono ter, e que ainda que aquela discussão fosse mais sobre escolhas e liberdade pessoal do que outra coisa, não valia a pena o comentário. Acendeu-se a luz de aviso para "limite de tempo nas redes sociais ultrapassado". Quem nunca?

 

Ora, como o mau tempo e marido a trabalhar todo o fim de semana são a minha melhor estratégia para pôr as tarefas de casa e compras em dia, e como já não me restava nada urgente para fazer, atirei-me à cozinha para inventar alguma coisa que me aquecesse o coração e estômago num dia frio - como quem diz, gordices. Mas com juízo!

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Crepes rápidos feitos na bimby - nunca falham, ficam sempre mega fofos. Como não tinha chocolate, decidi experimentar com um dos meus ingredientes preferidos: mel caseiro português. Adoro, adoro! Esta minha paixão pelo mel é recente porque sempre tive a ideia que era algo demasiado doce mas garanto-vos que se provarem um bom mel de qualidade, vão ter uma experiência palatável memorável (já para não falar das inúmeras vantagens para a saúde - sabem que o mel é o mais potente antibiótico natural e regenera tecidos como poucas outras substâncias fazem?). Correu tão bem que até acho que crepes com mel passou a ser o meu lanche/pequeno-almoço preferido!

Para acompanhar, uma limonada de framboesas que não é mais do que juntar limão, framboesas congeladas, açúcar (um bocadinho!), e água - triturar, coar et voilá

20
Jul17

Estrangeirismos e paralelismos

Estamos quase quase aquela altura do ano em que os emigrantes invadem Portugal, e já muitos são os que se queixam da sua presença. 

Não entendo muito bem esta implicância generalizada com quem vive fora do país, talvez porque eu própria sou emigrante - e como odeio esta palavra! -, mas na verdade, de que maneira estes conseguem  incomodar tanto os "portugueses de Portugal"?

Podemos falar sobre os cromos que cá vivem: é impossível não fazer piadas quando vejo por aqui um carro com um autocolante a dizer "chega-lhe azeite!", mas também os há por aí sem nunca terem metido um pezinho fora do país.

Falemos então das famílias numerosas, mas quantos aí não teriam igualmente três ou quatro filhos, se o nível de vida assim o permitisse?

Carros alugados para "inglês ver"? Acho que não passa de um mito urbano, nunca vi ninguém aqui a alugar carros melhores para a viagem, mas mesmo que aluguem um bom carro confortável para fazerem longas viagens de milhares de quilómetros, de que forma isso afectará terceiros?

Há muito por onde pegar neste tema mas no fundo, o que mais me incomoda é a implicância com as expressões estrangeiras:

"Michael, tu bá tombé! Eu avisei-te que ias cair!", "Jean-Paul, arréte-toi ici e reste tranquilo.", "Melanie, regarde que chose tão linda ici!".

Quem nunca ouviu estas pérolas? Podemos brincar com isso sem o fazer de forma ofensiva, mas garanto que na grande maioria dos casos não é algo feito de propósito; é demasiado complicado passar dias, meses, anos a falar noutra língua e não adoptar as suas expressões - é feito inconscientemente.

Já por outro lado, cada vez que vou a terras lusas ouço mais e mais expressões estrangeiras.

Parece que agora se diz por aí "vou fazer um break" porque "pausa" não é uma palavra fashion. Agora tudo é vintage, eles são os geeks e os nerds, tudo depende do mode de cada um. Tudo é feito em high performance, tudo é hight-tech desde os laptops aos head-phones.

Por todo o lado há beachpartys durante o sunset com beachwears compradas online; ou então os brunchs para os quais são escolhidos looks apropriados, com especial atencão aos outfits. Em cada canto vemos workshops de make-up onde se adquirem skills e know-how para assim melhorar a self-performance. Todos tem hobbys e fazem-se meetings, seja a actividade indoor ou outdoor como jogging, running ou climbing. 

Posto isto, até compreenderia o desagrado pelas expressões utilizadas pelos emigrantes se as criticas viessem de um adepto fervoroso da língua de Camões, alguém que dirá  "convescote" em vez de picnic, e "carro de praça" em vez de taxi.

Até lá, parece-me que quem tem roofs de vidro, não devia atira rocks ao vizinho.

 

20
Jul17

Eu, ele e as chaves

Temos por estes lados um problema grave com as chaves de casa. Eu tenho as minhas, ele tem as dele e até aqui tudo normal. O nosso problema é pensar que o outro pegou nas chaves antes de sair, de cada vez que saímos juntos de casa.

Ora, isso não era grave se não saíssemos todos os dias juntos para passear a cadela mais do que uma vez por dia. Já perdi a conta à quantidade de vezes que ficamos fechados fora de casa (felizmente, sempre com telemóvel para poder telefonar a alguém). Por norma, telefonamos à minha mãe para pedir a chave suplente que está em casa dela a 20km de minha   e vamos lá buscar; ou quando saímos sem chave do carro também (porque ninguém vai passear o cão com a chave do carro no bolso), lá vem ela até minha casa trazer. 

Nunca foi preciso chamar os bombeiros ou alguém para me abrir a porta mas já tivemos situações caricatas, como passar a meia-noite de um réveillon na rua com o cão a apreciar os fogos de artifício porque ninguém nos atendia o telefone com o barulho e a excitação do momento. Ou chegar a casa depois de uma sessão tardia de cinema e ter de ligar aos meus pais de madrugada. 

A coisa estava a tornar-se tão repetitiva que acabamos por esconder uma chave na entrada do prédio: não é muito seguro, mas a probabilidade de ficarmos trancados fora de casa sem ninguém para nos socorrer supera de longe a probabilidade de um assaltante descobrir a chave.

Ninguém diria que somos dois adultos, pois não?

19
Jul17

Preparar as férias

As férias são o momento mais esperado de todo o ano, e para ajudar a controlar a ansiedade e para que nada fiqeu esquecido, tenho tentado preparar tudo com antecedência. Ora então:

 

Hotel: Reservado há meses.

 

Transporte: Vamos de carro. Revisão está ok - é sempre bom fazer um check-up antes de uma viagem tão longa.

 

Animais: Pensei em levar-los comigo como faço muitas vezes mas este ano como a ideia será passar muito tempo fora do hotel, acabamos por decidir deixar a malta num hotel ao pé de casa (onde eu já trabalhei e confio a 100%). Para a Camila não haverá nenhum stress porque é onde ela já passa os dias na creche - e as vezes acho que ela gosta mais de lá estar do que da nossa casa.

 

Protecção solar: Comprei protector e after-sun no Lidl este ano porque já sabem que sou mega fã da marca deles, mas caso não goste, não me será difícil encontrar outro creme qualquer por lá.

 

Cuidados com a pele: Faltam duas semanas mas já comecei a preparar a pele para o sol. Tenho usado um esfoliante da The body Shop de framboesas e gostei muito. É um daquele que vem parar a casa por experiência mas que fica.

 

Documentos: Não vamos sair da Europa por isso foi só verificar se os Cartões Únicos estão em dia.

 

Medicamentos: Detesto tomar medicamentos e fujo deles o ano todo mas não permito que uma indisposição, uma dor de cabeça ou outro tipo de desregulação me estrague as férias. Passei na farmácia e comprei um "mini-kit de emergências tratáveis com um comprimido". 

 

Roupas: Gaja que é gaja tem de comprar um trapinhos novos para uma ocasião esperada, né verdade? cada vez mais faço questão de comprar marcas 100% portuguesas e de qualidade não questionável. Continuo a ser forreta mas tenho aprendido que o barato muitas vezes sai caro. 

Ros Beachwear Praia do Guincho em Costela de Adão

My Cantê Hemera versão 1

 

Acessórios de praia: Um saco de praia e um chapéu giríssimos do Lidl também, que não chegaram a 15€ os dois.

Fartei-me de procurar toalhas ou lenços de praia, igualmente de fabrico português e de boa qualidade, mas não encontrei absolutamente nada. Agora que as marcas de biquínis e acessórios de praia/piscina nascem em cada canto, ainda ninguém se lembrou de iniciar um produção de toalhas? Fica aqui uma ideia de negócio! 

 

Roteiro: Tive meses para pesquisar os pontos mais interessantes a visitar por cada cidade que vamos passar. Imprimi vários roteiros e apontei o que mais me interessava num caderninho pequenino que irá andar comigo no saco.

 

Roaming: THANK GOD acabou o roaming na Europa. Costumo usar o meu telemóvel como GPS, para procuras rápidas de pontos de informação/restaurantes mas este ano vou poder fazê-lo sem um custo adicional de 3€ dia que a minha querida operadora me cobrava. 

 

Assim de repente, lembram-se de mais alguma coisa que esteja a falhar? O que costumam preparar antes de irem de férias?

18
Jul17

O drama das cessações de contrato

É sempre um filme de terror cada vez que temos de cancelar um contrato, não é? Imagino apostas nos escritórios dos call-center: "será que este aguenta mais 20 minutos em linha sem desligar?", "será que o cliente continua a querer cancelar o serviço se eu o fizer contar a mesma história 5 vezes?", "e se eu lhe disser que falta um código que ele recebeu há meses atrás?". 

"Estranhamente", a adição de serviços pode ser feita por telefone sem problema nenhum e por confirmarão vocal. Ou seja, os senhores não se importam que o meu vizinho ligue para lá a adicionar serviços à minha factura, mas cancelar essa factura por telefone é impossível porque não há forma de confirmar que é realmente o detentor do contrato que está a falar. REALLY?

Começo a achar que este jogo de "empata aqui e ali" é só um teste à paciência dos clientes para ver quanto tempo tempo estes demoram a cancelar a ordem de pagamento bancário. Por muito ridículo que isto pareça, neste momento (e já em desespero com as complicações e dificuldades apresentadas para cancelar a porcaria de um contrato) acho que me será mais fácil deixar de pagar e esperar que sejam os senhores a querer cancelar comigo (e obviamente, regularizar os pagamentos), do que fazer tudo correctamente e exercer o meu direito de cessação pós período de fidelização. 

13
Jul17

São gostos...

-Gostas?

- Gosto! Mesmo!

- A sério? eu não tenho bem a certeza...

- Acho mesmo! Se não gostasse, dizia-te. Ou achas que tenho mau gosto?

- Assim de repente, lembro-me que gostas de gatos sem pêlo e cães quase sem focinho...

 

E pronto, é isto a minha vida...

 

11
Jul17

Festejar 30 anos - o que oferecer? #2

O que oferecer ao senhor meu marido como presente dos seus 30 anos, era a minha dúvida a semana passada. Hoje de manhã, ao abrir os 14871875 emails de publicidade e de os ter passado a pente fino (isto de encontrar promoções absurdas online, tornou-me publicidade-dependente), encontrei a solução para o meu problema!

Diz que o homem vai dar um passeio de helicóptero, coisa com a qual sonhava há bastante tempo. Como era uma promoção muito interessante, ainda pensei comprar um bilhete para cada um mas rapidamente me lembrei que os helicópteros voam e que ficaria a uma distância significativa do chão, então fiquemos por um bilhete para ele. 

Terá 6 meses para marcar o voo, e tenho a certeza absoluta que ele vai a-do-rar.  

 

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