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Blog da Margarida

Blog da Margarida

24
Mai17

Amor, ai, o amor

A cada ano que passa, sinto-me mais triste com as notícias de divórcio. E se fosse comigo? Fico sempre a pensar se não haveria realmente mais nada a fazer, mais nada para tentar; não me entendam mal, o poder de escolha e a liberdade de seguir outros caminhos, largar o que não nos faz feliz não tem preço mas se aquelas pessoas se juntaram, foi porque se amaram um dia. E na minha visão de amor, este não acaba. 

E é isto que mais me assusta, porque para mim o amor não acaba nunca. Nós mudamos, a vida muda, as exigências e situações são outras mas havendo vontade,havendo amor, deveria de haver sempre uma solução, certo? É isso que nos é ensinado e doutrinado desde sempre: o amor resolve tudo, salva tudo. 

Amar não é sempre maravilhoso, não é um mar de rosas, tem as suas tempestades, mas é sempre o meu colete salva-vidas. Não quero imaginar a vida sem a minha metade da laranja; não há forma de me agarrar a vida sem aquele pilar. Não posso imaginar acordar e deitar-me sem ele, não ter a opinião dele até nos assuntos mais banais, não ter de pensar nele enquanto escolho as bolachas no supermercado, não ter ninguém para reclamar por causa do tempo.

Quando recebo a notícia que alguém próximo se vai divorciar, há várias teorias que passam ao mesmo tempo na minha cabeça. Será que sou tão inocente ao ponto de acreditar no felizes para sempre, quando na verdade isso não passa de uma ilusão temporária?  Como se segue em frente, depois de receber a notícia que a outra parte já não ama?

O amor terá validade ou só acaba porque o damos por garantido e nos esquecemos que ele tem de ser alimentado e regado todos os dias, com palavras e acções?

Amedronta-me tanto a ideia de alguém estar comigo por acomodação, como a ideia de chegar a casa depois de um dia normal de trabalho e receber a notícia que o "amor acabou". Depois de 13 anos juntos - literalmente metade da minha vida -, já não me lembro de existir antes dele e acho sinceramente que o amo cada vez mais. Mas nunca sabemos o que vai na cabeça do outro, e um não ama por dois.

Há alguém que eu admiro muito, com a experiência de vida que só se ganha depois de virar muitos calendários, que me diz que todos os casamentos acabam em separação: alguns com separação física, outros apenas em pensamento, continuando com a rotina de sempre. E eu recuso-me a acreditar nisto.

Talvez leve a minha inocência a outro nível, fazendo-me acreditar que quem se separa não conheceu o amor como eu conheço, que sou uma sortuda, uma privilegiada por saber o que é amar mais do que a própria vida outra pessoa; uma atitude conscientemente narcisista, mas que me dá de alguma forma a ilusão de segurança.

Amar não é mais do que atirar os nossos sentimentos por um penhasco e esperar que alguém os segure; pode correr muito mal, mas pode também ser a mais maravilhosa experiência do mundo.