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Blog da Margarida

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28
Set17

Do almoço para a II Guerra Mundial

Num almoço perfeitamente normal na cozinha do trabalho, a conversa foi parar à Segunda Guerra Mundial. Eu dizia que gostava muito de ler sobre isso, fossem romances ou histórias verídicas, bem como filmes dessa época, mas não me passou pela cabeça que (logicamente) o Luxemburgo teria sido um dos países que mais sofreu com isso.

Já se passaram muitos anos, e pelo que vou percebendo já não se guardam ressentimentos, mas foi a primeira vez que ouvi relatos em pessoa daquilo que se passou (ainda que me tivessem sido recontadas por filhos e netos de quem viveu naquela altura), confesso que me chocou de uma forma que eu não esperava. Todos sabemos o quão horrível foram aqueles tempos (que felizmente não podemos nem imaginar como foram), mas ouvir pormenores e histórias que atingiram estas famílias foi um soco no estômago bem mais forte do que aquele que sinto quando vejo filme ou leio livros sobre o assunto. 

Contavam-me eles, que assim que guerra começou a aparecer, muitos fugiram ou emigraram para os Estados Unidos. Fiquei a saber que uma colega é neta de quem seguiu esta opção; os avós fugiram para a América com os seus filhos. A minha colega, apesar de já ter nascido do outro lado do oceano, decidiu voltar para o país dos seus avós há uns anos atrás.

Aos que cá ficaram, sobrou-lhes a fome e miséria de verem tudo que era seu ser-lhes levado, inclusive os filhos. Dizia um dos meus colegas mais velhos que a sua avó escondeu o filho de um vizinho na garagem, porque os alemães estavam a "recrutar" todos os jovens de 18 anos. Mas, ironia das ironias, os jovens de 18 anos não foram suficientes naquela "recolha" por isso, ela viu o seu próprio filho de 14 anos ser levado à força. Mesmo assim, decidiu não entregar o filho do vizinho porque ela sabia que no final, acabariam por levar os dois.

Esse rapaz de 14 anos, agora pai do meu colega, passou por muito em muitos países, viveu uma guerra que não queria viver, tentando explicar por onde passava que não era alemão e que não queria aquela guerra mas ninguém acreditava nele. Era apenas uma crianca que falava alemão e parecia alemão, então devia ser alemão (o Luxemburgo não é o país mais conhecido do mundo). Ao que parece, voltou da guerra sem mazelas físicas, e o filho do vizinho que tinha ficado escondido na garagem da sua mãe, foi o seu melhor amigo até morrer.

Uma outra colega contava que a única coisa que os seus avós conseguiram esconder foi um porco. O animal passava o dia escondido numa cave, dentro de um tanque da roupa e durante a madrugada, saiam para o passear às escondidas (para que ele comesse alguma coisa que encontra-se no chão e esticar as pernas). Apesar de todo o carinho e cuidado que tiveram durante meses, bem como todo o simbolismo do animal, o porco acabou por ser cozinhado quando já não alternativa.

Ouvir isto e pensar que afinal isto não foi assim há tanto tempo, nem num lugar tão distante no globo. Que sorte danada temos, só por podermos vivermos em paz!

 

*Aviso que não sou nenhuma especialista no assunto. Limitei a acreditar naquilo que ouvi e a recontar neste post.

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