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Blog da Margarida

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05
Mai17

Empurram-me ou salto?

O francês foi uma língua que sempre menosprezei porque convenhamos que ninguém fala francês em Portugal. Fiz os anos obrigatórios na escola, e arrumei os livros até que decidi emigrar. Porque raio me mudei para o país com três línguas oficiais (francês, alemão e luxemburguês), se eu não falava nenhuma delas? Não sei o que se me passou pela cabeça, mas já passou: cheguei cá a falar duas, e já vou a caminho da quinta. 

Quando cheguei, investi bastante em cursos de francês mas mesmo assim continuava sem evoluir como desejava porque nos anteriores trabalhos passava o dia com outros emigrantes portugueses (ou com animais, que também não ajudam muito nisto de idiomas). Desde que mudei de trabalho que tenho uma equipa pequena mas de nacionalidades variadas: luxemburgueses (óbvio), belgas, franceses, italianos, marroquinos e eu; por isso passo o meu dia a falar franciú já que não cá mais ninguém que perceba português, e foi aí que realmente levei um empurrão evolutivo.

Não foi bem um empurrão, foi tipo atirarem-me das cataratas no Niágara e ter lá em baixo uns leões famintos à minha espera. Lembro-me de fazer o meu trabalho e passar a maior parte do tempo calada porque ainda que me conseguisse exprimir, nem sempre era fácil de perceber o que me diziam, principalmente os francófonos que usam linguagem e expressões casuais. E atender o telefone? Ui, ele tocava e o meu coração palpitava de sofrimento.

Com o tempo fui melhorando, aprendendo expressões, ganhando a confiança dos meus colegas para lhes chatear a cabeça com dúvidas que me surgiam enquanto falava. Hoje, já atendo o telefone sem problema algum, e apesar de ter noção dos erros que dou - os verbos, ai, os verbos - não tenho vergonha de falar em que situação seja.

Na minha busca pelo aperfeiçoamento, hoje chateava dois colegas belgas para me explicarem a diferença na pronunciação entre antérieur e intérieur, que isto de falar da pata anterior ou do interior da pata por exemplo, pode levar a muitos mal entendidos. 

Explicaram, como explicam sempre, tentando dar outros exemplos. No final, disseram que a minha evolução era notória e como consigo dialogar continuamente sem qualquer dificuldade. Neguei, referi os meus erros, as minhas fraquezas e dúvidas, e eles continuaram a afirmar que apesar disso tudo, falo muito bem francês. Calei, corei e agradeci.

Não gosto da expressão "o que não me mata, torna-me mais forte" porque me parece demasiado agressiva, mas a verdade é que por vezes só atingimos determinado objectivo quando saímos da zona de conforto e nos pomos à prova. Venham de lá esses leões outra vez s.f.f, que agora preciso de falar luxemburguês!

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