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Blog da Margarida

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17
Jan17

Eutanásia animal

Cada vez mais se ouve falar de eutanásia humana, e esta vem sendo adquirida por mais países. Nos animais, há muitos anos que se fala e se pratica, contudo quer-me parecer que há muita gente baralhada com a definição de eutanásia e assassinato.

 

"O termo Eutanásia vem do grego, podendo ser traduzido como "boa morte" ou "morte apropriada". É uma forma de apressar a morte de um doente incurável, sem que se sinta dor ou sofra."

 

"Assassinato: ato de Tirar a vida de alguém."

 

 

Sou a favor tanto para animais como pessoas, eu própria eutanasiei o meu cão, mas isto tornou-se tão banal que me deixa boquiaberta. O cão tem diabetes? Abate. O cão partiu uma pata e o tratamento é demasiado caro? Abate. O cão cresceu demais? Abate. O cão mordeu alguém? Abate. O gato arranhou a criança? Abate. Foi atropelado? Abate.

Não, não, não. Isto não são razões para abate, muito menos para serem chamadas docemente de eutanásia - isto é assassinato.

Pensemos: a eutanásia seria praticada numa pessoa porque tinha diabetes? Numa pessoa que partiu um braço? Numa pessoa que bateu noutra? Não, não seria. 

A primeira "linha de combate" são os veterinários, que se deveriam recusar a fazer este tipo de coisas. Não é justo tirar a vida a alguém, quando este tem apenas uma doença perfeitamente curável ou tratável, independentemente do custo.

By other side, (e pela minha experiência) alguém que quer tirar a vida ao SEU gato porque tem um insuficiência renal e precisa apenas de uma ração especial até morrer, é também alguém que terá coragem de abandonar o animal ali na esquina (ou de lhe dar um tiro) se o veterinário recusar a tarefa. 

Sendo mais terra-a-terra, é verdade que existem tratamentos demasiado caros e que temos de ser muito realistas quando alguém que sabemos não ter 5000€ para um tratamento, e que por muito que essa pessoa goste do seu animal, pede a eutanásia para o mesmo porque sabe que ele vai sofrer e não tem mesmo como o ajudar. Estes casos existem, mas sabem quantos vi até hoje? Um. Já vi por outro lado muita gente a pagar contas de 300€ com 10€ ou 20€ por mês, e não conheço nenhum veterinário que recuse tratar um animal nesta situação. 

Hoje ligaram-me de manhã porque alguém tem um labrador de 11 meses e este mordeu a sogra do dono. Primeiro pensamento: abate. Não pensam que talvez o cão não tenha tido a educação correcta, e que a culpa seja do dono. Não pensam na situação que despoletou o ataque. Não pensam que há outras formas de contornar a situação, com avaliação e treino feito por especialistas. Não pensam porque isso dá demasiado trabalho e demasiada despesa. Porque as pessoas querem animais perfeitos, que não sujam, que não fazem barulhos, que não façam asneiras, e que principalmente que não adoeçam. Tenho algo a dizer, e pode ser uma novidade para muitos: isso não existe.

Segunda "linha de combate": a pessoa que deu/vendeu o cão deveria ajudar a encontrar uma solução. Jamais um bebé nascido em minha casa irá parar a um gatil, está no contrato  de venda bem explicito que o animal não é uma coisa, e caso não o queiram, eu como criadora tenho o direito de ir buscar o gato antes de qualquer outra decisão. 

Se mesmo assim, querem ter um animal e assumem a responsabilidade de tratar dele a vida toda, levem a promessa até ao fim. 

Eu não posso ficar com o cão, aconselhei a pessoa a falar com uma associação porque está decidido que não o querem, e espero do fundo do coração que o veterinário diga que sim ao abate mas faça o cão sair pelas traseiras para casa de alguém realmente responsável. 

Foi por este mundo animal que me apaixonei perdidamente e com eles que decidi passar todos os dias da minha vida, mas cada vez mais percebo que tomei a atitude certa quando deixei as clínicas e me mudei para laboratório. Deixei de ter de lidar com estas coisas que me matavam mais um bocadinho todos os dias. 

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