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Blog da Margarida

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25
Abr17

Fazer as pazes com o espelho

Esta semana, a Carolina escreveu um post que descreve a minha vida durante anos e anos; posso dizer que até me arrepiei enquanto lia.

No inicio da minha adolescência tive de lidar com um problema grave na tiróide que me atirou 20kg para cima em poucos meses, algo que não é fácil de aceitar em qualquer idade, naquela fase marcou ainda mais a forma como me via, criando um grosso filtro depreciativo que se arrastou no tempo em forma de insegurança. 

Hoje vejo por fotos antigas - já de anos mais tarde, numa altura em que levava o exercício e educação alimentar muito a sério - que já estive muito perto de ter o corpo que sempre quis ter, mas as memórias que tenho dessa altura são de continuar a achar que não estivesse nem perto do objectivo. Queremos sempre mais e melhor.

Há sensivelmente dois anos ganhei uns quilinhos a mais, e não tenho feito o suficiente para os perder. Tento comer de forma saudável, tento ter uma vida activa mas não tenho trabalhado de forma a ficar com o meu "corpo de Verão" por várias razões: pelas trinta mil coisas que toda a gente conhece (trabalho, horários, e blábláblá) mas acima de tudo porque me aceitei como sou.

Com isto não estou a dizer que me vou descuidar e engordar 50kg, mas finalmente interiorizei que nunca vou ser uma modelo da Victoria Secret e que não tenho a forma física que gostaria de ter, mas tenho aquilo para o qual me esforço e acho aceitável. Portanto, não é racional debater-me comigo mesma por querer atingir resultados e objectivos, quando a maior parte do tempo não estou a trabalhar nem a lutar por eles. 

Não acho que valha a pena matar-me a correr ou a fazer uma dieta restrita para ficar mais magra para o Verão, se entre Setembro e o Natal foi recuperar tudo e mais alguma coisa. Para quê? Porquê? Qual é o sentido disto? Ficar bem nas fotos? Se me sentir preparada e com vontade de seguir esse ritmo, irei fazê-lo como já aconteceu, mas por mim e não por pressões sociais. 

 

Com os anos aprendi a adorar comer de forma saudável, aprendi a gostar de correr e fazer caminhadas mas continuo a gostar também dos velhos hábitos pecaminosos.

Talvez venha a evoluir e tornar-me uma daquelas pessoas fit com o six pack definido, mas estou ainda à espera desse milagre dia. Até lá sou uma pessoa normal, que ninguém chamará de gorda nem de magra, que passa a vida a lutar com a balanca por 3kg a mais/3 kg a menos, mas que usa o mesmo número de calcas há pelo menos 12 anos. Por isso mesmo, há muito que passei a ignorar a balança e me regro pela saúde e pela medida da roupa.

 

Ontem entrei na Zara e peguei em dois pares de calças tamanho 36 (o mesmo de sempre), ainda que a medo e a deitar um olho no 38 porque achava mesmo que 36 não me ia servir. Experimentei as primeiras e não me passaram das coxas; já estava eu a dizer mal da minha vida e a pedir ao homem para ir buscar o tamanho acima (que se recusou porque segundo ele, as calças eram feias), até que experimentei o segundo par que me assentou como uma luva, pareciam que tinham sido feitas para mim com a vantagem de me fazerem parecer mais magra. 

Não sei qual das calças tinha a etiqueta trocada, mas independentemente do número que lá marcava, independentemente do que diz a balança, saí de loja feliz porque mesmo com gordurinhas a espreitar, gostei do que vi - gostei de me ver - e isso foi algo raro durante demasiado tempo.

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