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Blog da Margarida

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09
Jan18

Fazer o bem sem olhar a quem

Não sou uma pessoa de pessoas, nem uma pessoa de causas. Sou uma pessoa de animais, de casos particulares que me fazem tirar o rabo do sofá que de outra forma nunca faria. 

Penso imensas vezes na sorte que temos por existirem pessoas de pessoas, que se dão, que sentem pena e afetos por desconhecidos - eu não sou assim, não porque escolhi não ser assim, mas simplesmente não o sou. Sou demasiado racional no que toca às pessoas, penso sempre num outro lado, na possível falta de vontade e esforço para sair de determinadas situações, nas burlas pessoais ou associativas, mesmo sabendo que a vida é tramada e amanhã posso ser eu a precisar. 

Sábado passei o dia no hospital com uma tia idosa, numas urgências caóticas: ficamos lá 7 horas até sermos atendida mas, no final não saí - como faço sempre questão de fazer - sem agradecer ao enfermeiro, olhos no olhos, pela simpatia e atenção apesar do stress ali sentido.

Admiro de verdade aquele trabalho porque eu não poderia ouvir queixas, reclamações, ver todo o sofrimento que vi ali durante tantas horas, todos os dias, e acho que não há forma de agradecer suficientemente a enfermeiros, bombeiros, voluntários, e todos aqueles que tem sempre uma palavra gentil para aligeirar os momentos mais duros. Quem o faz, faz-lo de coração; não é algo que se aprenda.

Contudo, tal como todos os animal lovers ligados de alguma forma a resgates e adopções de animais, ouço frequentemente que não devia praticar este tipo de ajuda, que há mais pessoas a precisar. Que pessoas são e serão sempre mais importantes que os animais. Que com o dinheiro daquele saco de ração podia ter comprado mantimentos para uma família ou leite para um bebé carenciado.

A verdade é que estas pessoas que criticam, na maior parte das vezes, não faz absolutamente nada para mudar a vida de ser alguma à face da Terra. Nem têm de o fazer, se não tiverem vontade, mas não há razão alguma para criticar quem se move por uma crença diferente, ou mesmo de fazer acreditar que há causas mais dignas que outras.

Que haja mais gente a apagar fogos, a distribuir sopas pelos sem abrigo, a ler para idosos, a distrair crianças em alas pedriátricas, a apoiar associações de toxicodependentes, a consolar e conversar com quem precisa. Que quem nasceu com essa vontade, o faça com tanto carinho como os voluntários das associações de animais limpam canis e gatis imundos. 

Que se faça mais, sem criticar quem faz alguma coisa de bem, seja ela qual for. 

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