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Blog da Margarida

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21
Mar17

Março, marçagão, de manhã Inverno e de tarde Verão

Sempre gostei deste mês, não que seja o meu preferido mas sempre lhe tive um carinho especial. É o primeiro mês que vem logo depois do Inverno, é o recomeço de um ciclo, é o renascer, é vida. As flores aparecem, os animais selvagens começam também a sair das suas tocas, as aves chegam das suas migrações.

Escolhemos este dia, exactamente há 4 anos atrás, para metermos a nossa vida em caixotes na mala do carro e virmos para o país que nos acolhe até hoje. Trouxe comigo todos os sonhos do mundo, todas as certezas, toda a vontade de fazer acontecer. 

Um novo ciclo, um ciclo tão complexo, com tantos acontecimentos e sentimentos à mistura, que ainda hoje não fui capaz de escrever o longo texto que me anda na cabeça há tanto tempo: A Emigração.

O inicio foi tão mas tão duro, que tentamos cá em casa nem falar do primeiro ano em que cá estivemos. Com o tempo as coisas foram melhorando, e ainda que a vida perfeita não exista, estamos numa situação que muito dificilmente conseguiríamos ter em Portugal.

Viver fora é conhecer outras culturas, trocar ideias, sair da zona de conforto e crescer. É ter uma vida mais despreocupada e mais desafogada, afinal é por isso que para cá vimos. É ter desafios uns atrás dos outros, sejam eles profissionais, pessoais, ou quotidianos como ir às finanças explicar que houve um erro nos vossos impostos numa língua que mal se domina. É nunca ter de pensar se temos dinheiro para cuidados de saúde.

É ver com os nossos olhos que há sociedades que funcionam melhor do que a nossa, e que isso é possível. É enraizar em nós de tal maneira o civismo aqui presente, chegando com vergonha a duvidar se conseguiríamos voltar a viver no nosso país. É ser recebido num país que não é o nosso e darem-nos as mesmas oportunidades que aos de cá. É atingir metas que nem sonhávamos ter a força para tentar.

Mas é também saber que ainda que cheguemos a ter nacionalidade nunca vamos ser tão de cá como eles. Que ainda que gostemos de estar CÁ preferíamos mil vezes estar LÁ, se pudéssemos ter as mesmas oportunidades (ou até aceitaríamos menos um bocadinho). É ser sempre estrangeira, é cada vez que tiramos uns dias de férias ouvir a pergunta "Vais a Portugal?". É a cada dificuldade aqui, pensar em voltar, mas depois de uns dias aí de férias perceber que afinal até temos saudades da nossa casa aqui.

É ser recebida aí como emigrante, e a cada ano que passa perceber que nos afastamos mais: porque a nossa cidade muda, os sítios que conhecíamos já fecharam e deram lugar a novos que não conhecemos, as músicas que nos chegam aqui são diferentes das que vos chegam aí. É estar sempre a reclamar de Portugal mas não admitir que nenhum estrangeiro nos diga que Portugal é menos que o melhor país do mundo. É adorar viajar e ter dinheiro para o fazer, mas receber as lágrimas nos olhos quando conduzimos em Milão só porque a calçada nos faz lembrar as ruas em Portugal. É não gozar com quem tem a bandeira/símbolo de Portugal no carro (e não, eu não tenho), porque ainda que em Portugal vejam isso como "tunning", acreditem que andar com esse símbolo por estas bandas é sinónimo de muita coragem e orgulho em ser quem somos.

"Março, marçagão, de manhã Inverno e de tarde Verão": um novo ciclo com vantagens e desvantagens, dependendo sempre do ponto de vista de quem as olha.

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