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Blog da Margarida

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12
Mai17

O pior de viajar

O pior de viajar são os aviões, meus caros. Sim, aquele aparelho que tanto nos leva ao outro lado do oceano em poucas horas, como também nos pode por em casa (2000km) num piscar de olhos.

Aquele meio de transporte considerado o mais seguro do Mundo. Esse que aproxima famílias e casais apaixonados em encontros de fim de semana para sossegar a saudade. Aquele que cada vez tem preços mais simpáticos e que nos deixa ir a sítios onde há uns anos atrás seria impensável - já fui a Inglaterra de avião com um bilhete mais barato do que o Alfa Porto-Lisboa. 

É também aquele meio de transporte que me leva ao hospital com ataques de ansiedade.

Sim, eu já fui para o hospital com um ataque de ansiedade na noite anterior a uma viajem. Não há razões para isso, mais depressa morro atropelada, blá blá blá, já ouvi isso tudo mas a coisa tem vindo a piorar com o tempo, mesmo depois de ter negado este medo durante anos. 

Vou viajar no domingo e andei a semana toda a afogar o meu pânico em comida (e não da saudável, diga-se); ontem comecei a sentir a caixa torácica mais apertada a cada inspiração cada vez que pensava no assunto; hoje sinto o meu estômago a nadar em ácido.

Se há alguma coisa que eu possa fazer para atenuar o medo? Há, e não é uma piada - deixar o meu marido em casa a tomar conta dos animais. Demorei anos a perceber a origem do medo e porque ia piorando, até que percebi que o meu medo é deixar os meus animais órfãos.

"Que grande parvoíce", devem pensar alguns de vocês. Mas não há nada que me dê mais medo do que não puder cumprir o compromisso para a vida que assumi com eles.

Tenho um pacto com a minha prima, em que caso nos aconteça alguma coisa ficamos com o cão uma da outra - era pacto válido para o Mike, e foi transferido para a Camila.

O que mais me aperta o coração são os meus gatos, que sendo queridos sei que alguém haveria de ficar com eles, mas acabariam por ser separados. E ninguém os conhece como eu: ninguém perceberia as mordidinhas da Alice como demonstrações de carinho, ou a força que o Gaspar faz para dormir no nosso pescoço bem juntinho, ou a carência escondida pela timidez da Matilde. 

"Que grande parvoíce", eu sei. Vou de férias com o meu marido, visitar a família, ver o mar e estou para aqui a pensar nestas coisas. Não vai acontecer nada, não é? Prometo tentar controlar-me nas idas às urgências e para a semana estarei de volta.

Até já!

 

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