Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Blog da Margarida

Blog da Margarida

13
Dez16

O surf da vida

Este ano foi a pura da loucura. Acabei 2015 imensamente feliz por tudo que tinha conseguido e pelas coisas novas que me tinha trazido esse ano, e assim comecei 2016: optimista, cheia de projectos, estava na crista da onda a "surfar" na vida. 

O primeiro dia do ano passei-o em Amsterdão com o Bruno, a Camila e com amigos que longa data. Adorava o meu trabalho, estava numa situação muito estável pessoal e profissional. A meio de Janeiro uma exposição de gatos levou-me a Beaune em Franca onde revi mais amigos que vieram de Espanha com o mesmo propósito. Daí a Março foi um passinho e rumamos a Roma (de novo com os felinos) para uma grande competição. Passeamos muito, tivemos um almoço daqueles que fica para sempre na memoria com vista para o mar e até sem intenção nenhuma, acabamos por ver o Papa! As ondas formavam-se ao jeito dos meus movimentos, como se o o ambiente se moldasse à minha vontade.

Chegada ao aeroporto de volta a casa, recebo uma chamada de uma colega que me diz que a empresa ia ser vendida. Podia-mos ficar com o novo patrão ou ir para o Fundo de Desemprego. Ambas tentamos ficar a trabalhar ali mas eu não aguentei mais do que dois meses.

Era Junho e estava desempregada. Nesse dia recebo uma chamada do meu senhorio a dizer que queria vender a casa onde eu estava, se estaríamos interessados em comprar ou então procurar outro lugar. O meu carro avariou. Até minha televisão avariou. Tudo avariou nessa semana. "Mas que raio se está a passar?". Caí da prancha de surf e bati com as costas no fundo. Toda a pressão da água, o barulho, a força, a fúria do mar, o corpo a ser levado contra a nossa vontade. Procurar a tona sem saber muito bem para que lado isso ficava, e ao mesmo tempo suster a respiração. 

Não queria ficar em casa sem fazer nada. Cheguei à tona, rumei à areia, respirei fundo e lancei-me outra vez: meti mão à obra e inscrevi-me num curso que já queria fazer há muito tempo, e enviei 13549451433 currículos.

Duas semanas depois de estar desempregada (pela primeira vez na minha vida), recebi uma chamada com uma proposta que me parecia ser demasiado boa para ser verdade. Primeira reunião feita, era de verdade demasiado bom para ser verdade; disseram que tinham muitas pessoas interessadas ao lugar, num espaço de 15 dias me dariam a resposta. Não se passaram 15 dias, passaram apenas 45 minutos quando me telefonaram a dizer que o lugar era meu. Estava novamente de barriga na prancha à procura da minha onda.

Com jeito tentei pôr-me a pé, escorreguei um bocadinho: perdi todo o dinheiro do curso porque o novo horário não era compatível, e bom, depois de ter ficado desempregada e com todas as avarias que surgiram não foi uma boa altura. Não importa. Soma e segue. Tenta outra vez. Primeira semana de trabalho superado, sem esquecer que era apenas um contrato de 5 meses mas era melhor do que nada. Empatia total com toda a equipa de trabalho, estranho de dizer mas depois de uma semana já me sentia em casa. Primeiro mês de trabalho superado, o equilíbrio a voltar, boas ondas a formarem-se no horizonte.

Outubro é sempre marcado pelo fim de semana que passamos em Paris, e nada como o Outono em Paris para namorar, aquecer o coração e acalmar a alma. Novembro: sou avisada que o meu contrato vai ser automaticamente prolongado se estiver de acordo. Dezembro chegou e cá estou de novo na crista de uma nova onda, de pé porque com tanta queda aprendemos, mesmo sem querer, a equilibrar. 

Fui afortunada com o positivismo, sou mais positiva que um protão; só preciso de ter comigo a minha metade da laranja, aquele que me serve de pilar, que me ajuda a levantar e que me obriga a ir a luta outra vez porque "não há mar bravo que não amanse". Podia dizer que tive um ano mau, que passei por muita coisa complicada mas em vez de lembrar os problemas, prefiro lembrar que arranjamos solução para todos eles e cá estamos de novo, firmes e seguros, mais carregados com lições que ficarão. 

2017 está aí mesmo ao virar a esquina, e cá estou eu, melhor do que estava à 1 ano atrás, depois de tanto trambolhão, com mais e mais ambiciosos projectos na manga. Se voltar a cair? Volto a levantar. Se vier uma tempestade? A seguir virá a bonança.

Venham daí maiores e melhores ondas porque quando as ondas acabarem, está na hora de mudar de lugar, procurar outro sítio que obrigue o meu corpo a produzir adrenalina e que faça esta vida valer a pena. 

1 comentário

Comentar post