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Blog da Margarida

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09
Jun17

Onde anda a nossa paciência?

Sou bastante paciente com os meus objectivos de vida, com as coisas a que me proponho e que sei que levam tempo - basicamente, nas coisas que dependem de mim. Por outro lado, nunca tive paciência para pessoas em geral  e acho que percebi isso finalmente nas aulas de psicologia do primeiro ano de enfermagem. Aquilo bateu-me tão forte, que achei por bem afastar os meus dias de trabalho até à reforma de pessoas, mudar de curso e dedicar a minha vida aos animais.

So far, so good. Nunca me arrependi da minha decisão mas não gosto daquilo em que me estou a tornar. Cada vez tenho menos paciência para pessoas, para birras, para intrigas, para conversa sobre este ou aquele, para actividades que me desagradam. Choros de crianças então, dão-me vontade de me enfiar num bunker à prova de som. 

E não digo que as crianças não chorem ou gritem (porque estão só a ser crianças e a testar limites), que as pessoas não falem, não tenham os seus problemas: acho mesmo que o problema sou eu que estou a ficar progressivamente menos tolerante.

Quer-me parecer que não será um problema só meu, mas sim da sociedade que vai sendo cada vez menos habituada a ser contrariada, porque tudo é feito neste-momento-já-e-para-ontem. Porque já não vemos aquilo que a Tv nos impõe porque temos internet e Netflix. Já não ouvimos o que dá na rádio porque temos o Spotify. Não temos de esperar até amanhã para ir à livraria comprar aquele livro porque o podemos comprar e ler agora mesmo, sem sair de casa. Não corremos as lojas todas à procura de algo especifico se o podemos comprar aqui, à distância de um click. 

Mas nem tudo se resume à evolução das tecnologias de comunicação, quando já não há época de uvas nem de morangos porque os há o ano todo. Já não há praia só entre Junho e Agosto, porque a todo momento podemos entrar num avião e pôr o corpinho ao sol. Já podemos antecipar a escolha de um restaurante ou hotel sem criancas porque nos é mais cómodo. 

E não me interpretem mal, já que me assumo como utilizadora de tudo que acabei de referir, mas acho que basicamente estamos a evoluir para não ser contrariados. Isto, de uma forma tão geral e em coisas tão insignificantes do nosso dia a dia que nem as vemos, mas que nos vão afectando e transformando.

Esta semana li algures, que nos dias correntes as pessoas preferem os animais de companhia aos filhos porque se toleram cada vez menos (entre nós, humanos). Li também que num ano, 43 crianças foram devolvidas depois de viverem 6 meses com os candidatos à adopção. E penso que não me quero tornar nisto, nestas pessoas "alérgicas" a outros humanos. Pessoas que desistem de afectos sociais. Que saltam fora do barco quando a maré não é favorável ou mesmo a expectável. 

Desde o inicio do ano que me noto mais apática mentalmente, mais indiferente, mais desinteressada por tudo e por nada. Simplesmente, não quero saber e quando não me interessa baixo o volume, ou desligo a ficha. Mas que sentido faz apregoar o respeito e tolerância por outras espécies, quando eu própria tenho tão pouca paciência para tudo o que me rodeia, sejam comportamentos, pensamentos, conversas ou atitudes que não me agradam?

No fim deste texto encontrei a palavra exacta para isto que me anda a consumir: individualismo.

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