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Blog da Margarida

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27
Out17

Os meus amigos vão ter um bebé. E agora?

Coisas que me apoquentam: grávidas, puerperas (nome dado a mulheres em fase de pós-parto) e recém-nascidos. 

Não percebo muito da coisa porque nunca por lá passei, mas é verdade que tendo em conta todas as "modas" actuais, fico sempre com receio do que digo ou do que faço na presença de bebés e de suas mães. 

Acreditem que eu respeito tudo e mais alguma coisa mas é complicado saber o que vai na cabeça das pessoas. Ora vejamos:

  • Começando pelas grávidas, ora temos aquelas que se queixam que "deixaram de existir" durante a gravidez e que só o bebé interessa, e temos as que simplesmente não conseguem falar de outra coisa. Numa sms devemos perguntar por ela ou pelo bebé?;
  • O bebé nasce: visitar ou não visitar? Há quem se queixe pela falta de interesse dos amigos, há quem agradeça que ninguém apareça;
  • Pegar no bebé: sim ou não? Tenho amigas que não deixam os bebés serem pegados ao colo por determinadas pessoas, principalmente se forem fumadores. Também não querem beijinhos nos bebés para evitar a transmissão de doenças. Tenho outras amigas que até agradecem se forem os convidados a dar banho às crias para lhes aliviar um bocadinho as tarefas;
  • O que dizer durante as visitas/encontros/jantares? Que o bebé é lindo mesmo que não o seja? Que é magrinho/gordinho? Que sai ao pai/à mãe? Já vi mães zangadas por ouvirem repetidamente que o rebento é a cara do pai;
  • Recebemos uma lactante na nossa casa: é simpático propor que ela vá dar de mamar num local mais reservado, ou vou ouvir que alimentar a criança em publico é uma coisa perfeitamente natural e não deve ser escondida?

A criança cresce:

  • Se estivermos  comer, devemos oferecer? Podemos oferecer tudo, ou tem de ser livre de glúten, ou lactose, ou de origem vegetal?
  • Se estiverem várias crianças presentes, oferecemos chocolates só às que come doces, ou não oferecemos de todo a ninguém, mesmo que a mãe da que come doces ache isso estúpido?
  • Tablet/telemóveis/TV: sim ou não? Nunca ou às vezes? 
  • Se decidirmos brincar com elas, que tipos de cuidados devemos ter? Brincadeiras para gargalhadas sonoras com saltos e piruetas, ou desenhos e puzzles?
  • O que oferecer no Natal e aniversários: nintendo aos três anos ou ferramentas para trabalhos manuais até aos 8? Livros para os pais lerem? Inscrições em actividades? 

Eu juro que percebo e aceito todas as opções acima e mais algumas - todas elas são válidas, especialmente porque são decisões pessoais que não influenciam terceiros - mas tenho a confessar que depois de uma enorme alegria por saber que pessoas tão queridas por mim realizam o seu desejo de serem pais, vem toda uma preocupação sobre o que dizer e/ou fazer em cada situação. 

Não sei como me comportar, acabando por algumas vezes ficar ali com um bebé nos braços, tipo estátua, sem saber muito bem o que fazer com ele; existem diálogos constrangedores (que nem sei bem se o chegam a ser) em que não sei se os pais querem falar ao mundo sobre a sua experiência ou se acham algo demasiado privado para andar a ser contado aos sete ventos.

Eu juro que bloqueio todos os meus pensamentos do tipo "se fosse eu/se fosse meu filho" porque na verdade nem os tenho, mas também já recebi respostas a roçar a agressividade "porque tu não tens filhos e não sabes!", só porque a minha opinião é diferente da dos pais (seja sobre partos, aleitamento, creches ou whatever) - eu sei, são as hormonas conjugadas com a privação de sono. Acreditem que para mim, não há melhor contraceptivo do que um bebé aos berros ou mães perdidas nos seus baby blues (e sigo a máxima de "sorrir e acenar") mas imagino como se sentirá um casal que passe secretamente por algum problema de infertilidade ao ouvir algo deste género.

Isto tudo para dizer: pessoas que vão ter filhos ou tiveram recentemente, não esperem o "bom senso alheio" porque neste aspecto isso não existe - o que para mim é totalmente normal, para vocês pode não ser ou vice-versa. Digam o que pretendem e o que esperam em cada momento, mesmo que o façam discretamente em conversas ou detalhadamente por email, ou até que escrevam um livro sobre isso! Eu, pelo menos, prefiro receber uma lista "to do and not to do" do que criar acidentalmente situações desagradáveis tanto para os pais como para os convidados. 

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