Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Blog da Margarida

Blog da Margarida

07
Set17

Os meus vizinhos-silêncio

Sempre vivi nos andares intermédios dos prédios e sempre tive a sorte de ter bons vizinhos, ou seja, pessoas que fazem barulhos normais como arrastar cadeiras, aspirar, usar tacões, que têm cães ou filhos mas que nunca lhes passou pela cabeça tocar bateria ou furar as paredes para trocar os candeeiros às 4h da manhã. 

Talvez fossem até um bocadinho barulhentos para alguns ouvidos mais sensíveis mas eu cá continuo a achar que vivendo em sociedade é preciso relativizar, aceitar e fazer cedências sem perrices; quem quer silêncio absoluto e ditar as suas próprias regras, deveria viver numa casa isolada e não num prédio. 

Ora, barulho nunca foi problema até agora: quando os vizinhos de cima decidiam fazer uma festa até às tantas, lá aguentávamos o barulho, sabendo que mais cedo ou mais tarde seriamos nós a ter convidados - esta gestão sempre foi cordial, e era uma espécie de fifty-fifty ou "uma mão lava a outra". 

E aqui é que a porca torce o rabo! Mudei de casa a semana passada e desejei tanto não ter vizinho problemáticos, que estou com o maior problema-não-problema da minha vida: os meus vizinhos não arrastam cadeiras, não aspiram, não usam tacões, o bebé deles não chora, nem a máquina de lavar deles (que por estes países costuma ser em zonas comuns ou caves) faz barulho! É como se não morasse lá ninguém.

Já pensamos que eles poderiam estar de férias mas chegamos à conclusão que não: o carro vai saindo do lugar, têm luz em casa e se passarmos à porta deles, acabamos por ouvir o bebé a palrar.

Imagino que estes seriam os vizinhos ideias para a grande maioria das pessoas mas a mim faz-me comichão. Não é normal alguém ser tão silencioso, e aqui entra o meu dilema: será que nós, sendo pessoas normais no que toca a ruídos, incomodamos os vizinhos-silêncio? Eu não quero incomodar ninguém mas gostava de estar à vontade dentro de casa. Dei por mim a tentar fazer cada vez menos barulho e ontem até pensei em não ligar o micro-ondas porque já era tarde. Rapidamente achei todo aquele cuidado uma maluquice, havendo bom censo, não haverá razão para reclamações. Reclamações essas que ainda não existem. Aliás, ainda nem os conhecemos porque temos horários diferentes. 

Eu sei que estou a fazer uma tempestade num copo de água sem motivo mas acho que só vou sossegar quando ouvir o aspirador a funcionar, ou o miúdo aos berros, ou quando acabar por os encontrar e perguntar se ouvem muito barulho vindo do andar de baixo. Basicamente, nunca estamos bem com aquilo que temos. 

5 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D