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Blog da Margarida

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28
Mar17

Profissões ingratas

Falei aqui sobre as minhas idas ao dentistas e a descoberta de um novo médico. Pois bem, lá fui a primeira vez e gostei muito. Simpatia, ética, rapidez. O trauma foi totalmente inexistente, pelo que marquei nova consulta para a semana seguinte, e para a seguinte. Marquei também para o Bruno e tenho feito publicidade por quem vou encontrando.

Mas, há sempre um mas, os meus dentes não devem ter concordado comigo porque desde sábado ando a arrancar cabelos com a dor. Eu sei que é normal, que nada teve a ver com o trabalho do dentista (que foi impecável), mas fiquei com os tecidos todos inflamados. Não sou mariquinhas, aliás, sou até bastante resiliente no que diz respeito a dor física, mas quando não consigo controlar o choro, é porque a coisa está grave. Depois de um fim de semana desesperante, liguei para lá ontem e arranjaram-me consulta para hoje de manhã. A ver vamos.

Tenho-me enfrascado em medicamentos para as dores, antibióticos e anti-inflamatórios mas parece que nada ajuda: continuo com vontade de ser atingida acidentalmente por um pugilista, ou por um rinoceronte furioso, ou por um comboio. 

Isto fez-me pensar como o trabalho do dentista chega a ser ingrato: tem uma fama terrível, toda a gente tem medo de lá ir, geralmente são procurados quando o caso está extremo, digamos que grande parte dos seus cliente não fazem o que eles mandam mas no final acabam sempre por lá voltar quando já estão cheios de dores. E claro que eles podiam reclamar, dizer "eu avisei!" mas recebem toda a gente com a maior das simpatias e tratam os doentes da forma mais suave possível. 

Mas isso não acontece com tantos outros trabalhos? Tenho um amigo que é auditor bancário e está sempre a dizer que não consegue fazer amizades no trabalho porque toda a gente o odeia já que o seu trabalho é apontar os erros do empresa. Amigos enfermeiros que deixam a família aos fins de semana, natais e aniversários para ouvirem desaforos de quem está furioso numa sala de espera, como se tudo fosse culpa deles. Veterinários que tentam fazer o melhor que podem e sabem, e são acusados injustamente de serem uns ladrões (porque infelizmente não há um sistema nacional de saúde para animais, e os veterinários tem mesmo de pagar as contas deles como toda a gente). Professores acusados de serem maus profissionais quando leccionam turmas de crianças birrentas e mal educadas, onde os pais acham mais importante pôr as crias na equitação e no futebol, do que ficar em casa a ajudar nas matérias mais complicadas. Designers que vem o seu estatuto reduzido ao ridículo porque toda a gente consegue fazer cartões de visita no Power Point e sites no WIX. E tantos outros exemplos, que fariam esta lista não ter fim! Que difícil é escolher uma profissão recompensadora nos dias de hoje.

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