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Blog da Margarida

Blog da Margarida

18
Fev14

Uma questão de escolhas

Aprendi Inglês desde o meu 4º ao até ao 11º ano. Estudei algum francês entre o 7º e o 9º, mas nada que me ficasse muito na cabeça (nada mesmo). Resumidamente acabei os meus estudos a saber falar duas línguas, o Português e o Inglês, e a achar que não era nada mau visto que outros colegas nem Inglês falavam. Pois bem, essa realidade desvaneceu-se quando vim para o Luxemburgo. 

Eles começam na pré-primária com o Luxemburguês, depois com o Alemão, segue-se o Francês, e o por fim o Inglês. Como a comunidade imigrante aqui é imensa, acabam muitas vezes por falar outra língua que aprendem em casa com os pais (seja português, italiano, espanhol, etc.).

Agora eu pergunto-me como é suposto concorrer directamente para o mesmo trabalho com pessoas que falam mais 3 e 4 línguas do que eu? Num país onde há mais imigrantes do que luxemburgueses? A semana passada conheci inclusive uma senhora que falava 7 línguas, e trabalha nas limpezas. Sabe as línguas que se aprendem cá, mais o português que aprendeu com o pai, o espanhol que aprendeu com a mãe e o italiano que aprendeu com o marido.

Desde que cá cheguei que aprendo francês. Não tão intensamente como deveria porque como praticamente só trabalho com outros portugueses acabo por não treinar, mas entre os cursos feitos e o que se vai aprendendo no dia à dia, posso dizer que percebo 90% do que ouço e falo tanto francês como um ucraniano imigrante em Portugal, fala Português. Algo como "Vocês querer", e "Eu ir/Nós ir", "Ele saber" e por aí fora, claro que as pérolas vão aumentado se falar em mais tempos verbais do que o Presente. Acabo por muitas vezes me rir de mim própria depois de ouvir o que acabei de dizer, e assim vou corrigindo. Claro que já poderia falar muito melhor, mas tendo em conta tudo aquilo que me vai limitando acho que não estou assim tão mal. 

Contudo, cada vez mais chego à conclusão que tem sido uma perda de tempo aprender o francês e andar a investir em cursos. A mentalidade aqui é: "Se estás no Luxemburgo, devias aprender luxemburguês". E convenhamos que tem toda a lógica. Onde em Portugal alguém empregaria um estrangeiro que não falasse português para algum trabalho que envolvesse atendimento ao público? Não acontece. Ou são pessoas sem qualquer especialização para trabalhos não qualificados, ou altamente qualificados. 

Por outro lado o luxemburguês é uma língua do demónio, e muitos são os próprios luxemburgueses a desincentivar a sua aprendizagem por ser demasiado difícil.

Tudo isto para dizer que estou como vulgarmente se diz "Como um tolo em cima da ponte", sem saber se começo com a língua do Demo, ou se continuo a insistir no francês que é bem mais fácil (e será melhor falar uma bem, do que duas línguas mal).

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