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Blog da Margarida

Blog da Margarida

13
Abr18

2018, estás a ser o melhor!

Já temos data para assinar a escritura da nossa primeira casa. Estranhamente, e ao contrário do que seria expectável, a nossa primeira casa não será a casa onde vamos viver - será a casa de férias - mas o que nos foi proposto era tão mais do que perfeito para nós que não deu para recusar (mesmo que nossa veia empreendedora seja mais fina que as veias de um canário que pese 12gr). 

A parte má foram os mais de seis meses de negociações e burocracias, foi tudo tão chato e moroso que eu mantive sempre as expectativas no mínimo, já achando que só andávamos a perder o nosso tempo e que no final não ia dar em nada. Só ontem quando olhei com olhos de ver para todos os contratos assinados e as datas marcadas na agenda, percebi que vamos mesmo comprar uma casa!

Estamos a dias de realizar uns dos nossos sonhos mais antigos, daqueles que falávamos ainda antes de entrar no secundário e que sempre pensamos ser inviável: a nossa casinha à beira mar plantada.

Os projectos e ideias multiplicam-se na minha cabeça a cada minuto, mas acima de tudo estou tão mas tão feliz por saber que venha o que vier, teremos aquele cantinho só nosso, na nossa praia que nos diz tanto

 

 

12
Abr18

Vamos falar de maminhas

Falemos de maminhas, peitos, mamas, como quiserem chamar, e do quanto eu não sou feliz com as minhas. Não me considero infeliz porque com um bom soutien push-up a coisa fica muito bem disfarçada, mas era algo que eu gostava de melhorar.

Conta a lenda que a culpa foi da senhora minha mãe, que rezou toda a gravidez para que eu não fosse tão avantajada como ela e não sofresse também dos mesmos males: dificuldade em encontrar camisas e camisolas que não fiquem "extremamente sexys", desconforto ao correr, ao dormir, dores nas costas, etc. Vai na volta, e o santo a quem ela rezou fez-lhe a vontade, e a nível de peitos pareço-me mais com o meu pai.

Desde que me conheço como menina/mulher, que sonho com uns implantes mamários - ainda que não goste de peitos enormes, adoro ver um peito bonito e equilibrado com o resto do corpo. Sempre disse que faria a cirurgia sem hesitar se tivesse meios para isso, mas agora que vejo a coisa passível de se realizar, começam as duvidas.

Há quem diga que aumenta o risco de cancro na mama (há quem diga o contrário pelo aumento dos cuidados e exames feitos nesta zona), e há dias li também um estudo que diz que mulheres com implantes mamários tem maior tendência para linfomas não Hodgkin. Ora, isto deixa-me a pensar: Ana Margarida, tu que és toda naturalista-bio-verde-salvem-as-baleias-e-não-mates-essa-aranha-põe-la-de-volta-no-jardim, vais aumentar a tua possibilidade de cancro por algo meramente estético? A resposta aqui parece-me clara, ganha a saúde.

Contudo, sou jovem, saudável, pratico desporto, tenho uma boa alimentação, e quantas pessoas já conheci como eu que morreram de cancro sem o raio dos implantes? E se me deixo quieta com aquilo que a Natureza me deu, e daqui a uns anos descubro um tumor nos intestinos ou um melanoma?

Digam-me lá a vossa sentença: avançavam? Conhecem casos felizes? Casos de arrependimento? Contem-me tudo!

10
Abr18

Bitch, please!

No ginásio.

 

Eu: Já viste ali aquele mulherão? Minha nossa, a rapariga parece feita pelo photoshop.

Ele: Quem? Aquela loira? - diz ele com o ar mais desinteressado do mundo.

Eu: Claro! O que são aquele rabo e o aquele peito? E a cinta de vespa?

Ele: E a barbela dela, também já viste? A gordura fugiu-lhe toda para a zona do pescoço.

 

 

*Eu não vi barbela nenhuma na rapariga, aliás, com tantos atributos nem me lembrei de olhar para outra coisa que não fossem as hot areas. E ainda que eu esteja muito bem resolvida comigo, não deixa de ser querida esta tentativa de senhor meu marido por defeitos nas outras para que eu me sinta bem.

 

06
Abr18

Portugueses sim, mas do Norte!

É bem verdade a ideia de que em cada canto do mundo há um português. Acho que nunca fui a lado nenhum onde não tenha ouvido outros turistas a falar português e espanhol (quer-me parecer que os nuestros hermanos são tão dados ao laró como nós) - ainda no domingo passado, enquanto esperava na fila para subir à torre Eiffel, quem estava à minha frente? Uma grupeta de portugueses, pois está claro. E o que acontece neste encontros entre lusos é basicamente isto:

- Ah, que giro. Também são portugueses?

- Suomos. - Respondi eu. 

- Ah! Mas são portugueses do Norte! 

Há sempre um pequeno brilho nos meus olhos quando me fazem este reparo, porque se por um lado não faço a mínima questão de esconder o meu sotaque, por outro nem me lembro que o tenho até ouvir estes comentários. Sou portuguesa sim e com orgulho, mas o meu coraçom, esse bai sempre pertencere ao Nuorte

Deixo-vos um vídeo antigo que adoro e, assim cumá'ssim, ainda me faz rir às gargalhadas.

 

 

 

PS: Gente do centro e sul, não usem a expressão cuarago sempre que tentarem falar como um nortenho. Temos montes de expressões giríssimas como "baimá benda", ou "baimá loja" mas já não ouço ninguém dizer cuarago há coisa de uns vinte anos. Just saying...

05
Abr18

O novo "encontrei dinheiro nos bolsos"

Todos nós já encontramos dinheiro dentro de um casaco ou de umas calcas que já não usávamos há imenso tempo. Se forem 2€ fico feliz, mas também já cheguei a encontrar 50€ perdidos e é quase como se fosse Natal outra vez.

Mas se é verdade que cada vez se usa menos dinheiro físico (eu raramente tenho dinheiro comigo, uso sempre o cartão), o que diminui drasticamente a probabilidade deste acidentes felizes acontecerem, sendo Lavoisier um visionário, já ele dizia "Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", também se pode dizer que nunca se comprou tanto online como nos dias de hoje. 

Que se acuse o primeiro que nunca encomendou aquela capa mega gira com bigodes de gatinho para o telemóvel, ou aquela cinta para a água durante as corridas, ou aquelas formas para bolos em forma de ursinho, até aquele gadget para segurar o telemóvel no carro, ou aqueles brincos e pulseiras ao preço da chuva? Obviamente, tudo coisas extremamente necessárias para a vida quotidiana - ou que pelo menos assim parecem numa noite de insónia. 

O que acontece na maioria dos casos? Cada vez que abrimos a caixa do correio e encontramos uma encomenda dessas é uma alegria, como se tivéssemos recebido uma prenda de nós para nós mesmos, mas da qual já não nos lembrávamos.

Ainda que a maioria seja uma desilusão devido à fraca qualidade, ou por não ser exactamente aquilo que estava descrito no site, são ou não são as compras na China o novo "encontrei dinheiro nos bolsos" do século XXI?

 

04
Abr18

Conversas que se ouvem na minha casa #3

A Matilde é a gata mais activa dos 3 que vivem lá em casa, sendo a mais nova também. Ontem, enquanto ela descia e subia arranhador acima e abaixo pela 15601464 vez, se escondia nas tocas e se rebolava nos hamocks, ficando a olhar para nós de cabeça virada para baixo, diz-me o Bruno:

- Aquela gata é tão querida mas acho que ela é meia deficiente...

- Não digas isso!

- Pronto, está bem. É maluquinha, mas nós gostamos dela assim!

03
Abr18

O que é que Março te trouxe?

Este mês tinha-me proposto a 100km de corrida, refeições cozinhadas e home-made pelo menos em 6 dias da semana, arranjar o jardim/plantar flores e pintar umas divisões lá me casa.

Todos os pontos foram realizados, à excepção dos 100km de corrida, e mesmo esse teve uma desculpa bastante válida - uns amigos decidiram vir passar uns dias lá a casa e aproveitamos a companhia para numas mini-férias. 

Março foi tudo de bom: exercício físico, casa de "cara lavada" para receber a primavera, namoro, amigos, até os dias se tornaram maiores e o sol começa a aparecer mais vezes.

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Não foram 100km, mas foram 85km. Este mês há-de correr melhor.

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A primeira visita foi a Amesterdão que continua sem fazer parte das minha cidades preferidas, talvez por não me identificar com o "tema" da cidade (drogas e prostituição legalizada), mas se aproveitarmos para apreciar o que a cidade tem de bonito e dar um passeio de barco, faz com a visita valha sempre a pena.

 

Por outro lado, Paris rouba um bocadinho do meu coração a cada vez que lá volto, e em cada esquina, em cada pormenor, em cada detalhe, tenho a certeza que é a minha cidade preferida de todas as visitadas até hoje.

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 Ainda tenho o corpo dorido pelas longas viagens de carro e pelas horas de caminhadas, sendo que é caso para dizer "Março, marçagão, sinto que fui atropelada por um camião", ainda que tenha sido um "camião" cheio de coisas boas

23
Mar18

Sextas com ar de segunda

Ontem saí do trabalho a desejar a sexta-feira ainda mais do que o normal por conta de uma dor de cabeça "daquelas" como já não tinha há muito tempo, e que não me permitiu fazer grande coisa. Não houve ginásio, nem cozinhar, nem tarefas domésticas: basicamente, saí do trabalho, passei no restaurante chinês para comprar o jantar, tomei banho e enfiei-me na cama. 

Deitei-me com a certeza garantida que hoje o dia ia correr melhor porque já seria sexta-feira, com bónus da previsão de sol. Contudo, não foi de todo o que se passou:

  • acordei às 4 da manhã com dor de dentes;
  • desliguei o despertador para dormir mais 5 minutos que se transformaram em meia hora de atraso;
  • abri a janela e o sol esperado era afinal um lindo dia tipicamente inglês, if you know what I mean;
  • ontem estacionei o meu carro de forma a bloquear o do moço, então tive que levar com uns "despacha-te que eu tenho de me ir embora!" a cada 40 segundos (ele deve gostar de viver no limite das minhas tendências assassinas!);

Como se isto não bastasse para enervar uma pessoa logo pela manhã (mesmo sendo alguém que geralmente não sofre dos nerves, como eu), ainda tinha uma surpresa na caixa de correio - o remate perfeito, o toque final, a cereja no topo do bolo para este inicio de manhã -, uma bela de uma multa por excesso de velocidade para pagar.

Bom dia também para vocês.

 

19
Mar18

Sabes que tens levado os treinos a sério quando...

Digam lá se não estavam à espera que eu falasse da roupa que deixa de servir, ou da regularização do sono, ou das outras 789476151 vantagens de correr? Não desta vez, meus caros.

Até para mim isto foi uma surpresa porque nunca ninguém me tinha avisado que correr implica calos, bolhas e unhas dos pés negras - mesmo com boas sapatilhas e com boas meias (ou peúgas, como queiram, mas na minha terra diz-se "meias").

Não é coisa que me incomode porque tenho a facilidade/felicidade de trabalhar de crocs e o desconforto nos pés não costuma chegar nem à corrida seguinte. Por outro lado, aceito uns pés feios como preço a pagar pela quantidade de endorfinas libertada a cada treino.

Já a esteticista discorda de mim. É raro lá ir mas desta vez não vim embora sem uma reprimenda sob o olhar chocado dela:

-"Minina! Qui é isso! Qui pé dji ómi é esse? Larga esse negócio dji corrida, mulhé! Isso num é pé dji mulhé, não!".

Tivesse ela ideia do esforço e suor que, literalmente, me sai do corpo para ter os pés desta maneira e acho que ainda lhe dava uma coisinha má.

 

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E uma coisinha má foi quase o que me aconteceu ontem quando vi os tempos que fiz - não tivesse eu a certeza que o meu telemóvel e relógio funcionam perfeitamente, diria que havia um engano neste treino. Ainda não sei quem operou o milagre mas não há erro, fui mesmo eu que evoluí e tenho umas quantas bolhas e uma grande unha negra para o provar.

18
Mar18

Previsão do tempo: ele vai passar

Ando numa fase de introspecção. Sobre a vida, sobre a morte, sobre o que cá fica quando se parte, sobre como "gastamos" o nosso tempo, sendo ele tão banal e coincidentemente, tão precioso para quem o tem escasso.

Tenho dado por mim a pensar que os velhos foram jovens um dia. Que também eles tiveram um dia sonhos, vontades, desejos, comportamentos impulsivos controlados por hormonas enquanto adolescentes, noitadas com amigos. Que tomaram decisões precipitadas, que amaram até sentirem arrepios na barriga, que tiveram desilusões e adormeceram de cansaço depois de tanto chorar. Que tentaram ser melhores e conseguiram. Ou então, falharam. Que a minha avó foi em tempos uma mulher diferente da senhora de cabelo branco e xaile às costas que eu sempre conheci, e que até o meu avô foi uma criança (traquina e reguila, talvez?) antes de se fazer homem e passar a fumar dois maços de cigarros por dia.

A vida passa levada pelo tempo, e o que é que fica? Dos meus avós, ficam as recordações e a saudade. Dos pais deles? Nem isso, não lhes sei nem o nome. 

É-me difícil aceitar que um dia também eu não vou ser mais do que uma fotografia num móvel de alguém, que me olharão com a indiferença de mais um objecto decorativo. Eu, não os outros, mas eu - pessoa complexa, cheia de planos e historias, energia, optimismo e mau feitio. 

Todos seremos reduzidos a lembranças e lá ficaremos até que quem nos tem guardado na memória também lá chegue. E isto dói-me, pensar em como o tempo é um bem tão precioso como ignorado e desvalorizado, e como é difícil aceitar o ciclo da vida quando percebemos que também fazemos parte dele.

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