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Blog da Margarida

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20
Fev14

Finalmente

Já passaram mais de 10 meses desde que o Mike nos deixou. Ainda custa falar sobre ele, ainda choro de saudades, ainda o ouço de noite a passear pela casa, mas tudo já está mais calmo na minha cabeça. O tempo vai fazendo o seu trabalho. As sua falta angustiante e saudade desmesurada vão-se transformando em outras coisas, como felicidade por ter vivido com aquela criatura quase 5 anos, num agradecimento profundo por tudo aquilo que ele me ensinou, por me ter feito uma pessoa melhor. O amor que tenho por ele é inabalável, é incomparável e por muito que eu adore os meus animais o Mike foi o primeiro, fazendo-me crer que nunca vou amar mais ninguém de uma forma tão pura e despreocupada neste Mundo como aquele cão. 

Escrevi este post à uns meses, e porque sempre achei que fiquei a dever uma explicação sobre o que aconteceu a toda a gente que me apoiou e deu força, hoje cá está essa explicação. 

 

Tivemos de tomar uma decisão que não foi difícil tendo em conta o diagnóstico, mas que foi a mais dura de sempre. 
Foi o cão mais crónico que conheci em toda a minha vida, com otites, dermatites, conjuntivites, colites, grastrites e todo mais um rol de coisas acabadas em "ites". Foi também o cão mais vigiado medicamente falando que conheci, pois tendo em conta a sua "fragilidade" e porque algo me dizia que haveria de aparecer algo que eu não ia "ver", que eu não ia conseguir perceber, fazia análises ao sangue e ecografias pelo menos 2 vezes ao ano só para despiste, principalmente de tumores tendo em conta a propensão da raça para tal. 
De nada me serviu, acabei por perder o cão da minha vida num espaço de 15 entre o primeiro sintoma e a eutanásia. 
Resumindo e desabafando, o primeiro sintoma foi polidipsia, seguido de poliúria. Uma sede maluca que o fazia beber até água da chuva, e excesso de urina até chegar à incontinência. Começamos com análises ao sangue, à urina e antibiograma que não acusou nada. Uns dias depois seguiu-se a perda de apetite, onde começou a deixar de comer. Ecografia a todos os órgãos possíveis, tudo normal. Seguiu-se o aparecimento de dor articular nos membros direitos, repetimos as análises ao sangue e alguns valores já se apresentavam alterados. Já prevendo o tipo de cenário que se seguiria, fizemos uma punção lombar que se revelou inconclusiva. Aqui já estávamos numa fase de recusa total de alimento, já tinha perdido 5kg numa semana, e não conseguia ver nele vontade de lutar contra aquilo que se estava a passar. É verdade que estava a tomar medicação para as dores que o deixava meio drogado, mas não conseguia ver no meu cão, no meu Mike que sempre foi a alegria em forma de cão, a coragem necessária para ir contra aquilo que o estava a deixar doente e não conseguíamos descobrir o que era. Após duas semanas de o ver piorar de dia para dia, e já ao terceiro dia sem aceitar qualquer comida começamos a pensar em eutanásia mesmo sem diagnóstico porque ele estava a demonstrar mais desconforto do que aquilo que achava normal e aceitável e nunca o iria deixar sofrer. Decidimos repetir todos os exames, e fazer um raio-x à cabeça e caixa torácica (únicas zonas que faltavam ver) e foi-lhe diagnosticado um timoma, um tipo de linfoma pouco comum e com sintomatologia inespecífica. O resultado das análises ao sangue estavam já mostravam um descontrolo completo, onde revelavam realmente o seu estado e todos os restantes órgãos já afectados. Pedimos 2ª e 3ª opinião para um tratamento, mas tendo em conta o seu estado e conhecimento de patologias anteriores optamos por não o deixar sofrer. Sempre me prometi a mim mesma e ao meu Mike que não ia ser egoísta ao ponto de o ter cá só porque era o melhor para mim, nunca o iria deixar entrar em fase terminal. 15 dias depois do primeiro sintoma, o meu cão tinha perdido 8kg, estava com gastroenterite severa, tinha dor fortes e recusava qualquer comida. Doía só de olhar para ele. O meu caozarrão de 4 anos tinha voltado a estrutura corporal de cachorro. A medicação parecia não ajudar. Não era possível prever quanto tempo tínhamos. Recusei-me a forçar a alimentação por sonda, queria que ele partisse enquanto ainda estava bem, quis que ele partisse como sempre foi, um gigante querido e maluco e com toda a sua dignidade de cão. Pedimos mais um dia ao veterinário e demos-lhe o dia mais feliz que poderia ter tido. Sem choros, sem despedidas, com muitos mimos, risos, brincadeiras e passeio na praia. No dia seguinte adormeceu no nosso colo, pensando ele que seria mas um recolha de sangue habitual. E com o último suspiro levou uma parte de nós com ele. 
Passado este tempo todo ainda não consigo pensar apenas com saudade no meu Mike. Não me culpo a mim mas descarrego todo a minha frustração nos criadores de vão de escada que criam cães doentes sem fazerem ideia daquilo que estão a fazer. 
Porque aquilo que eu continuo a sofrer e que o meu cão sofreu foi um tremendo azar, mas foi acima de tudo uma grande estupidez ter comprado um cão a um criadeiro. 
Até pode ser irracional pensar desta forma, porque claro que não há certeza que não nos teria acontecido o mesmo caso fosse comprado num bom criador. Mas pela experiência que fui adquirindo com 2 animais comprados em criadores éticos e conscientes, que são super saudáveis, que vão menos vezes ao veterinário num ano do que o Mike ia num mês, tenho a certeza que a probabilidade deste desfecho seria muito menor. 
Deixo aqui a minha história com o Mike, que foi sem dúvida alguma "O" cão da minha vida, o melhor que tive e terei, o que mais me marcou e que não voltarei a ver para quem ainda pensa em comprar cães oriundos de criações duvidosas. 

Rest In Peace MIKE (02/06/2008-17/04/2013)

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